Gilmar reage a ataques da mídia e cita “ex-cunhado” e votos contra interesses do Master

Gilmar Mendes, ministro do STF. Foto: reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu à repercussão das mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O gabinete do magistrado confirmou que ele recebeu o banqueiro em audiência, mas destacou que Gilmar votou contra interesses associados ao Master nos processos citados nas reportagens.

Um dos pontos das reportagens envolve o ex-senador Chiquinho Feitosa, irmão de Guiomar Feitosa, ex-mulher de Gilmar. Nas conversas extraídas do celular de Vorcaro, Feitosa aparece tratando de assuntos relacionados aos interesses do banqueiro no STF. À época dos diálogos, em 2024, Feitosa ainda era cunhado de Gilmar, já que o casamento do ministro com Guiomar terminou em novembro de 2025.

“Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do Ministro. O Ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”, afirmou o gabinete.

As mensagens mostram que Feitosa prestou consultoria a uma empresa ligada a Vorcaro e ajudou a abrir caminho para contatos com Gilmar. Segundo as reportagens, o contrato previa remuneração de R$ 500 mil líquidos por mês. Feitosa afirmou que prestou consultoria por um período curto e negou ter intermediado encontros entre funcionários do Master e o ministro.

Chiquinho Feitosa e Gilmar Mendes. Foto: reprodução

Gilmar também confirmou uma audiência com Vorcaro realizada em 11 de abril de 2024, às 18h, em seu gabinete no STF. O encontro tratou de uma disputa do setor sucroalcooleiro que interessava ao Master, que possuía créditos relacionados às empresas envolvidas. Advogados participaram da audiência.

Segundo o gabinete, receber advogados em audiência integra as prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia. O ponto destacado pela defesa de Gilmar é o que ocorreu posteriormente nos julgamentos: o ministro não acolheu a posição defendida por Vorcaro.

No caso da Destilaria Alcídia, Gilmar votou contra o pagamento do precatório e na mesma direção defendida pela União. André Mendonça acompanhou o ministro, mas ambos ficaram vencidos. Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques formaram a maioria favorável à empresa.

O gabinete afirma que a posição se repetiu em outros processos do setor. Gilmar também cita casos envolvendo Raízen e Jalles Machado nos quais se posicionou contra pagamentos defendidos pelas empresas.

As revelações, portanto, mostram dois fatos distintos. Vorcaro buscou Gilmar no STF para defender uma causa que interessava ao Banco Master, e Chiquinho Feitosa mantinha relações profissionais com uma empresa ligada ao banqueiro. Por outro lado, os julgamentos citados pelo gabinete não mostram Gilmar votando em favor dos interesses apresentados por Vorcaro.

No processo diretamente discutido na audiência de abril de 2024, ocorreu o contrário: apesar do encontro com o banqueiro, Gilmar votou contra a tese que beneficiaria a empresa cujos créditos interessavam ao Master.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/gilmar-reage-ataques-midia-ex-cunhado-votos-contra-master/