Glenn Greenwald saiu em defesa da Veja neste sábado (10), em meio às críticas às reportagens da revista sobre Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O jornalista estadunidense classificou como “simplesmente risível” a caracterização da publicação como “fanaticamente antilulista e pró-Bolsonaro”. Para sustentar sua defesa, recorreu à parceria na Vaza Jato. O arquivo da revista, porém, oferece outras lembranças bem menos convenientes.
Greenwald afirmou que a Veja tem sido “veementemente antibolsonarista desde pelo menos 2019” e lembrou as reportagens produzidas com o The Intercept Brasil sobre Sergio Moro. Ele ressalvou que não estava entrando “no mérito da solidez dessas novas reportagens” e reconheceu ter críticas duras à revista. Sua publicação contesta o rótulo atribuído ao veículo; não afirma que a Veja nunca atacou Lula nem atesta a veracidade das acusações atuais.
Em outubro de 2014, às vésperas do segundo turno presidencial, a revista estampou Lula e Dilma Rousseff sob a manchete “Eles sabiam de tudo”. A reportagem atribuía a Alberto Youssef a afirmação de que ambos conheciam o esquema de corrupção na Petrobras. O ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral, concedeu liminar garantindo direito de resposta à coligação de Dilma e ao PT no portal da publicação.
Em 2015, Lula apareceu vestido como presidiário, com os nomes de personagens investigados pela Lava Jato formando as listras da roupa. A chamada era “Os chaves de cadeia de Lula”. A revista transformava a possibilidade de uma prisão em imagem de capa, anos antes de o petista ser encarcerado. A montagem se somava a uma cobertura que associava reiteradamente sua figura à criminalidade.

Em março de 2016, veio “O desespero da jararaca”, com a cabeça de Lula cercada de serpentes. Em setembro daquele ano, a edição 2496 trouxe uma ilustração de sua cabeça em preto, com marcas que escorriam sobre um fundo vermelho. Em 2018, a edição 2567 perguntou “O que falta para Lula ser preso”.
A tal “parceria” invocada por Greenwald existiu. Em julho de 2019, a Veja publicou “Justiça com as próprias mãos”, expondo irregularidades de Moro com base nas mensagens analisadas em colaboração com o Intercept. A reportagem confrontou a atuação do então ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.
No entanto, nem 6 meses depois, em 30 de outubro, a coluna Radar publicou “Capa de VEJA faz quatro anos com Lula tentando ficar na cadeia”. O texto recuperava a montagem de 2015 e a apresentava como uma análise acertada da situação do petista.
Criticar Bolsonaro e revelar irregularidades de Moro não apaga esse histórico nem confere um certificado de neutralidade às reportagens atuais. Ao chamar as críticas de “completa piada”, Greenwald mostra que desconhece do histórico da Veja de ataques ao presidente Lula e ao PT. Desde a primeira rodada do Mensalão, até a última fagulha da Lava-Jato, a Veja fez o papel de divulgar toda e qualquer informação, mentirosa ou não, contra o Partido dos Trabalhadores e Lula.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/glenn-greenwald-se-supera-defende-veja-e-diz-que-revista-nao-e-antilulista/


