O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o sucessor do presidente Lula (PT) não precisa necessariamente pertencer ao partido e citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao discutir o futuro da aliança governista. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira (4), defendeu que a escolha preserve o projeto político do atual governo.
“O sucessor não precisa ser necessariamente do PT. Tem que ser de um campo que conduza o que fizemos até aqui, para que o Brasil continue em boas mãos”, declarou. Para Jerônimo, a transição para o quarto mandato também pode servir à construção de novas lideranças, embora a discussão sucessória não seja imediata.
Ao ser questionado sobre nomes, o governador ponderou que Lula ainda não montou o novo ministério e defendeu que possíveis lideranças ganhem espaço no governo. “O vice-presidente Geraldo Alckmin ajudou bastante e não é do PT”, afirmou. Ele ressaltou que o presidente precisará de diversos partidos no Congresso e que o critério deve ser o alinhamento ao projeto para o país.

Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
Jerônimo também cobrou maior participação do Nordeste nas decisões do PT e na composição do próximo governo. Destacou que os quatro governadores petistas são da região, mas rejeitou transformar a votação obtida por Lula na Bahia em uma conta proporcional de ministérios. “Não significa impor ao Lula uma troca. Mas política se faz com reconhecimento”, disse.
“Não queremos ser só fonte de voto”, afirmou, ao defender que lideranças nordestinas participem da formulação de políticas nacionais de desenvolvimento, infraestrutura e ciência. O governador questionou a concentração das decisões partidárias em São Paulo, reconheceu a importância histórica do ABC Paulista e dos metalúrgicos e pediu que a direção reflita melhor as forças regionais.
Sobre a escolha do ministro da Fazenda, Jerônimo criticou a pressão por uma definição imediata. Disse que o mercado havia precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e defendeu que Lula tenha tempo para montar a equipe. “É legítimo cobrar, mas não forçar. O Lula precisa de tempo adequado para escolher o ministro”, declarou.
As falas se somam ao debate sobre renovação do PT e abertura do governo a outras forças políticas. Na terça-feira (3), o ex-ministro José Dirceu havia defendido uma reconstrução da legenda e uma composição mais ampla para o quarto mandato, incluindo setores sociais que se mobilizaram pela reeleição de Lula.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/governador-da-bahia-cita-alckmin-e-admite-sucessor-de-lula-fora-do-pt/

