O governo do presidente Donald Trump reagiu às declarações do Itamaraty sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e classificou como “absurda” a hipótese de que a medida possa abrir caminho para uma ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.
A resposta americana foi motivada por um ofício enviado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara dos Deputados. No documento, o chanceler afirma que a decisão de Washington cria uma possibilidade jurídica para o emprego da força militar pelos Estados Unidos em solo brasileiro, uma vez que a legislação americana prevê diferentes instrumentos de combate a organizações enquadradas como terroristas.
Segundo o texto encaminhado pelo Itamaraty, a classificação do PCC e do Comando Vermelho “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento ao crime organizado” e poderá produzir impactos relevantes “tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que essa interpretação é “absurda” e negou qualquer intenção de utilizar força militar contra o Brasil.
A autoridade americana afirmou que o governo Trump está concentrado em combater organizações criminosas transnacionais que hoje também atuam dentro dos Estados Unidos e que representam uma ameaça direta à segurança do país.
Segundo o porta-voz, “alegações vagas” sobre uma suposta intervenção militar americana costumam servir de pretexto para proteger ou dar respaldo a algumas das organizações criminosas mais violentas do mundo.
O representante do Departamento de Estado acrescentou que a administração Trump está tomando “medidas decisivas”, dentro de suas próprias competências soberanas, para enfrentar grupos classificados como narcoterroristas.
Ainda de acordo com o governo americano, tanto o PCC quanto o Comando Vermelho já possuem ramificações e atividades em território dos Estados Unidos, o que justificaria a adoção de instrumentos mais rigorosos para combater essas organizações.
A troca de declarações ocorre dias depois de Washington anunciar oficialmente a inclusão das duas maiores facções criminosas brasileiras na lista de organizações terroristas estrangeiras, medida que amplia o alcance das sanções americanas e permite o uso de mecanismos mais severos de repressão financeira, cooperação internacional e persecução criminal.
As ações dos EUA na região
Nos primeiros meses de 2026, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar e política na América Latina com uma série de ações coordenadas. Em janeiro, forças especiais americanas participaram de uma operação em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Em março, militares do Equador atuaram com apoio dos EUA em bombardeios contra supostos alvos do narcotráfico na província de Sucumbíos, perto da fronteira com a Colômbia.
No mesmo período, Washington lançou a Operação Escudo das Américas, coalizão voltada ao combate ao narcotráfico e à imigração ilegal, à qual aderiram governos alinhados a Donald Trump, como Argentina, Equador, Bolívia, El Salvador, Paraguai e Costa Rica.
A ofensiva incluiu ainda a expansão de acordos militares na região. O Equador assinou um novo acordo SOFA com os EUA, o Panamá firmou um memorando de cooperação militar, e Peru e República Dominicana autorizaram o envio temporário de tropas americanas.
O Paraguai aprovou um Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA, na sigla em inglês) que concede imunidade a militares dos EUA e facilita a entrada de armamentos e veículos sem inspeção, provocando protestos e preocupação em Brasília devido à proximidade com a Tríplice Fronteira.
Na Argentina, Javier Milei autorizou a presença de militares americanos para o exercício Daga Atlántica, participou de exercícios navais conjuntos a bordo do porta-aviões USS Nimitz e avançou na construção de uma base naval integrada com os EUA em Ushuaia, na Terra do Fogo. Além do discurso de combate ao narcotráfico, essas iniciativas estão associadas à disputa geopolítica com a China e ao interesse em recursos estratégicos da região, como lítio, ouro, urânio, aquíferos e minerais críticos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/governo-trump-responde-itamaraty-e-diz-ser-absurda-hipotese-de-acao-militar-no-brasil/

