Guerra de facções bolsonarista: dossiê expõe Kim Paim, pistoleiro de Eduardo nas redes

Kim Paim com Eduardo e Carlos Bolsonaro

A nova treta na extrema-direita, na esteira do video de Michelle Bolsonaro contra Flávio, colocou o nome de um certo Kim Paim no centro do lodaçal.

O advogado Jeffrey Chiquini apresentou um “dossiê” contra o influenciador de bigode de cafetão dos anos 40, afirmando que não existe um “racha” real, mas sim uma estratégia para “isolar Jair Bolsonaro e seu legado”.

Paim é um dos principais pistoleiros de aluguel de Eduardo Bolsonaro. Kim atua como um destacado comentarista e Eduardo promover e endossa suas “análises” no YouTube para atingir seus inimigos.

Michelle foi chamada de “Yoko Ono” em postagem de Kim Paim na quinta passada. “13% apoiam a Yoko Ono”, escreveu Paim ao comentar publicação do seite Metrópoles.

Chiquini menciona que o influenciador é bem visto por membros do PCO, utilizando isso como um argumento para reforçar a tese de que ele seria um “infiltrado” com o objetivo de dividir o movimento bolsonarista.

O papel de Kim Paim nas investigações do golpe

Kim Paim é um influenciador baiano que reside na Austrália desde 2015. Ele monetiza sua atividade na internet por meio de vídeos diários no YouTube e de assinaturas mensais em seu site que chegam a R$ 100. Relatórios da Polícia Federal apontam Paim como um “vetor de propagação” de dados colhidos de forma ilegal pela estrutura paralela da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A investigação identificou registros de diálogos de 2021 entre Paim e o empresário Richard Pozzer — preso sob a acusação de integrar o esquema. Nas mensagens, Pozzer encaminhou a Paim um dossiê contra agências de checagem. O influenciador respondeu: “Caraio. Não sei nem como colocar isso em um vídeo. Trabalho profissional demais”. Em conversas paralelas com outros agentes de inteligência, Pozzer celebrou a abertura do canal de comunicação afirmando: “Já temos por onde escoar o esgoto”.

Outros dois alvos da operação, o militar Giancarlo Rodrigues e o agente da PF Marcelo Bormevet, também mencionaram o uso de conteúdos de Paim em suas rotinas para articular ataques a autoridades, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso.

O dossiê de Jeffrey Chiquini e o grupo “Quinto Elemento”

Jeffrey Chiquini é um advogado paranaense com atuação na defesa de réus da ação penal sobre a trama golpista do 8 de janeiro, incluindo o ex-assessor de Bolsonaro Filipe Martins e o militar Rodrigo Bezerra Azevedo. Acumula em seu histórico profissional a defesa do jogador Alef Manga, em casos de apostas ilegais, e do ex-BBB Diego Alemão, por porte ilegal de arma.

Chiquini publicou um dossiê em vídeo acusando Kim Paim de integrar um grupo denominado “Quinto Elemento”. De acordo com a acusação do advogado a coisa se dá assim:

Financiamento: O mentor do grupo seria o empresário Arthur Machado, detido em 2018 na Operação Rizoma da Lava Jato sob a acusação de desviar R$ 20 milhões de fundos de pensão como Postalis e Serpros.

Acusações de Passado Ocultista: O documento liga o nome de Paim a um antigo fórum de discussões no Facebook chamado Telema Brasil, voltado a doutrinas do ocultista britânico Aleister Crowley, utilizando o dado para desgastar a imagem do influenciador perante a base cristã.

A “estratégia” para 2030 

O ponto central do conflito reside no destino do capital político do bolsonarismo. Conforme o dossiê de Chiquini, a atuação de Kim Paim faz parte de uma estratégia de longo prazo com metas claras:

Isolamento de Lideranças: Classificar como “traidores” aliados de primeira hora que possuem proximidade com Jair Bolsonaro, como Nikolas Ferreira, a influenciadora Bárbara (Te Atualizei) e Michelle Bolsonaro.

Sabotagem Eleitoral: Trabalhar nos bastidores para minar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado. O enfraquecimento de Flávio e o bombardeio ao seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, servem para culpar a atual condução política do PL pelos resultados negativos.

Substituição em 2030: Criar um vácuo de liderança no movimento para viabilizar o lançamento de um nome próprio e alternativo ao clã Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2030.

A colisão de relatórios da Polícia Federal com os dossiês de bastidores evidencia que o ecossistema de comunicação da direita se move por disputas financeiras de plataformas digitais, projetos de poder concorrentes e blindagem jurídica.

Enquanto os influenciadores e operadores jurídicos disputam o controle da narrativa e o espólio político, a engenharia eleitoral de Flávio Bolsonaro perde sustentação em sua base radicalizada e vai para o buraco.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/guerra-de-faccoes-bolsonarista-dossie-expoe-kim-paim-pistoleiro-de-eduardo-nas-redes/