Gustavo Petro questiona resultado do 1° turno das eleições na Colômbia: “Mais votos que pessoas”

Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Foto: reprodução

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que não aceitará os resultados da pré-contagem do primeiro turno da eleição presidencial do país. Em publicação no X, no domingo (31), ele disse que só reconhecerá os dados oficiais das comissões escrutinadoras, conduzidas por juízes.

A declaração foi feita depois que Abelardo de la Espriella, candidato da direita, e Iván Cepeda, da esquerda, avançaram ao segundo turno da disputa presidencial, marcado para 21 de junho. Cepeda, senador pelo Pacto Histórico, conta com o apoio de Petro.

Com 99,94% das urnas apuradas na pré-contagem, La Espriella recebeu 43,73% dos votos. Cepeda ficou em segundo lugar, com 40,91%. Paloma Valencia, também da direita, terminou em terceiro, com 6,92%. O primeiro turno foi realizado no domingo.

Petro contestou a validade da pré-contagem divulgada ao público. Segundo ele, os dados não têm “força vinculante” nem constituem “norma pública”. O presidente afirmou que não aceita os resultados atribuídos à empresa privada dos irmãos Bautista.

“Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem da empresa privada dos irmãos Bautista, porque, devendo estar parados os algoritmos do software de contagem e escrutínios, na última semana foram alterados em 3 oportunidades e acrescentaram 800 mil cédulas a mais de pessoas que não estão no censo oficial apresentado”, declarou.

O presidente colombiano disse haver “2 censos neste momento”: o oficial e o do software dos irmãos Bautista. Segundo Petro, o sistema teria 800 mil pessoas a mais do que o censo oficial.

Ele também afirmou que mesas já impugnadas mostram que “centenas de milhares de votos foram acrescentados” sem a existência de eleitores. Na publicação, Petro não apresentou evidências sobre a acusação.

Na Colômbia, a contagem dos votos ocorre em duas etapas. A primeira é a pré-contagem, feita na noite da eleição e sem efeito legal. A segunda é o escrutínio oficial, conduzido por comissões formadas por juízes, notários e outros funcionários públicos. Nessa fase, eventuais irregularidades são revisadas mesa a mesa, e o resultado com efeito legal é definido.

“Portanto, e conforme a lei, os resultados vinculantes que o presidente atenderá e aceitará são os das comissões escrutinadoras dirigidas pelos juízes da República”, afirmou Petro.

Segundo o jornal El País, Cepeda também pediu esclarecimentos sobre os resultados provisórios. O candidato disse haver informações sobre mesas com “votações atípicas” e afirmou que sua campanha ainda verificava os dados.

La Espriella reagiu às declarações de Petro em discurso em Barranquilla. O candidato disse que o presidente não deveria desconhecer os resultados e afirmou que a população poderia reagir. “Defenderemos a democracia pela razão ou pela força”, declarou, segundo o El País.

Após o primeiro turno, a direita começou a se reorganizar. Paloma Valencia declarou apoio pessoal a La Espriella, e o ex-presidente Álvaro Uribe também afirmou que votará no candidato no segundo turno. Sergio Fajardo, quarto colocado, disse que seu grupo irá refletir antes de anunciar uma posição.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/gustavo-petro-questiona-resultado-do-1-turno-das-eleicoes-na-colombia-mais-votos-que-pessoas/