O Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, símbolo do chamado “Holocausto Brasileiro”, teve suas atividades encerradas nesta segunda-feira (25). A desinstitucionalização dos últimos 14 pacientes foi oficializada em cerimônia que marcou o fechamento do Pavilhão Antônio Carlos, lacrado simbolicamente com um cadeado.
Segundo a Prefeitura de Barbacena, o encerramento representa o fim de “um capítulo doloroso da saúde mental no Brasil” e a abertura de uma etapa baseada em dignidade, liberdade e cuidado humanizado. Os pacientes remanescentes foram transferidos para um lar terapêutico no município, enquanto o Centro Hospitalar Psiquiátrico seguirá como referência para crises agudas e atendimentos ambulatoriais dentro da Rede de Atenção Psicossocial do SUS.
De acordo com o governo de Minas Gerais, os últimos moradores viveram, em média, 49 anos internados. A idade média atual é de 73 anos, e três deles chegaram à instituição antes de completar 15 anos. Barbacena mantém hoje Serviços de Residências Terapêuticas que acolhem mais de 160 moradores e buscam reconstruir vínculos, autonomia e cidadania.
A história do local, no entanto, ficou marcada por uma das maiores tragédias de direitos humanos do país. Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena e transformado em hospital psiquiátrico em 1911, o Colônia se tornou símbolo de superlotação, abandono, confinamento forçado e violações sistemáticas contra pessoas internadas muitas vezes sem diagnóstico de transtorno mental.

Entre 1942 e 2020, segundo os números citados pela CNN, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição, e aproximadamente 24 mil morreram. Em determinados períodos, o hospital chegou a abrigar 3.500 pacientes ao mesmo tempo. Muitos foram internados por abandono familiar, preconceito, sofrimento psíquico leve ou comportamentos considerados inadequados pela sociedade.
Os horrores do Colônia foram reconstituídos no livro-reportagem “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, lançado em 2013, e depois em documentário da HBO. A obra revelou violações cometidas durante décadas, com pessoas internadas à força, submetidas a condições desumanas e torturadas com consentimento do Estado, especialmente entre os anos 1960 e 1980.
O fechamento do hospital ocorre 25 anos após a Lei da Reforma Psiquiátrica. Durante a cerimônia, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirmou que a história de milhares de pessoas “que foram jogadas e morreram nos pavilhões” se encerra com a saída dos últimos pacientes.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/holocausto-brasileiro-hospital-psiquiatrico-colonia-e-desativado-definitivamente/

