Dois aviões comerciais da Iberia e da Air Europa escaparam de uma possível colisão sobre o Oceano Atlântico após o acionamento do sistema anticolisão TCAS, uma das últimas barreiras de segurança da aviação. O incidente envolveu um voo que saiu de Recife com destino a Madri e outro que seguia de Madri para Guarulhos.
O caso ocorreu na sexta-feira (10), por volta de 01h22 UTC, perto da costa do Saara Ocidental, e veio a público após informações divulgadas pelo portal especializado The Aviation Herald. As aeronaves cruzavam a região em sentidos opostos quando o sistema emitiu um alerta crítico para as tripulações.
O Airbus A321 XLR da Iberia, matrícula EC-OLE, operava o voo IB140 entre Recife, em Pernambuco, e Madri, na Espanha, em direção ao norte. O Boeing 787-9 Dreamliner da Air Europa, matrícula EC-ODH, fazia o voo UX57 entre Madri e o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, seguindo rumo ao sul.
As duas aeronaves haviam recebido autorização para manter o nível de voo FL360, equivalente a 36 mil pés, cerca de 11 quilômetros de altitude, na mesma aerovia. Ainda não há explicação pública para a autorização simultânea no mesmo nível de voo em direções opostas.

Alerta crítico ordenou descida e subida imediatas
A proximidade entre os aviões levou o Traffic Alert and Collision Avoidance System a emitir um Resolution Advisory, conhecido como RA, o nível mais grave de alerta do equipamento. Esse tipo de aviso determina comandos obrigatórios aos pilotos para evitar a convergência das trajetórias.
No Airbus da Iberia, a tripulação recebeu ordem para iniciar uma descida. No Boeing 787 da Air Europa, o sistema indicou a necessidade de subir. As manobras coordenadas restabeleceram a separação entre as aeronaves, e os dois voos continuaram até seus destinos sem novos problemas relatados.
O TCAS funciona de forma independente dos controladores de tráfego aéreo e usa os transponders das aeronaves para detectar conflitos de trajetória. O sistema trabalha com dois níveis principais: o Traffic Advisory, que alerta a tripulação sobre outro avião próximo, e o Resolution Advisory, que determina uma ação evasiva imediata.
Travessias transatlânticas exigem treinamento específico porque os aviões seguem corredores oceânicos com altitudes previamente separadas, em áreas onde a cobertura de radar pode ser limitada. Até agora, Iberia, Air Europa e autoridades responsáveis pelo controle do espaço aéreo não divulgaram explicações sobre as circunstâncias que colocaram os dois voos no mesmo nível de voo.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/iberia-air-europa-rota-colisao-atlantico-recife-guarulhos/

