Recentemente, artigos publicados sobre a possível indicação de Jorge Messias ao STF são bons exemplo de posicionamentos que parecem ignorar esse contexto. A discussão pública sobre as escolhas presidenciais é não apenas legítima, mas é também necessária em uma democracia. Contudo, o debate perde em qualidade quando é conduzido por caminhos estreitos.
(…) Isso não significa que o presidente Lula não tenha consciência da necessidade de trazer novas vozes para a Justiça brasileira. Pelo contrário, ele tem demonstrado essa preocupação na prática, com as indicações da ministra Cármén Lúcia para o Supremo Tribunal Federal, das ministras Maria Thereza Moura, Maria Isabel Galotti , Daniela Teixeira e Marluce Caldas para o Superior Tribunal de Justiça, das ministras Maria Elizabeth Rocha e Verônica Sterman para o Superior Tribunal Militar, e das ministras Estella Aranha, Edilene Lôbo e Vera Lúcia Santana Araújo para o Tribunal Superior Eleitoral.
São dez mulheres atualmente em exercício em tribunais superiores, um movimento que amplia a representatividade feminina no Judiciário brasileiro.
(…) Limitando-me aos nomes que circularam nos últimos dias, por ocasião da precoce aposentadoria do Ministro Luís Roberto Barroso, e sem desprestigiar nenhum outro evidentemente , e muito menos a necessidade de seguirmos combatendo a vergonhosa sub-representação feminina em nosso judiciário , é importante dizer que Jorge Messias comanda o maior escritório de advocacia do Brasil, com mais de 8 mil advogados públicos.
Sua sólida formação acadêmica inclui mestrado e doutorado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela UnB, e se soma a sua rica experiência como procurador do Banco Central e do BNDES. É um quadro técnico reconhecido, com capacidade comprovada tanto na advocacia quanto na gestão de estruturas complexas. E com profunda sensibilidade social.
(…) Caso seja confirmada a indicação, o Supremo, na atual composição, passará a ser composto por quatro ex-ministros da AGU, o que apenas reafirma a importância da experiência acumulada neste espaço.
(…) Um presidente da República não nasce pronto, nem um ministro do STF. Julgar uma indicação apenas pela idade ou pelo momento da escolha é limitar a análise a uma fotografia, quando deveríamos observar o filme completo.
O Brasil contemporâneo precisa de um Supremo Tribunal Federal que reflita a pluralidade do país. Isso significa abrir espaço para diferentes trajetórias profissionais: magistrados de carreira, procuradores, advogados com experiência no setor público e privado, professores, juristas com vivência em áreas diversas do Direito. Nenhum caminho é, por si só, superior aos demais. O que importa é a capacidade de cada profissional contribuir para o fortalecimento da democracia e para uma Justiça mais próxima da realidade brasileira.
(…) O desafio do presidente Lula, como de qualquer chefe de Estado, é equilibrar todas essas dimensões na construção de uma Corte Constitucional preparada para os desafios do século XXI. As indicações feitas até aqui, tanto para o STF quanto para outros tribunais superiores, demonstram esse esforço de ampliar perfis e qualificar ainda mais o Judiciário brasileiro.
Finalmente, é compreensível que os grupos de influência se organizem publicamente e que alguns outros atores, de forma menos explícita, trabalhem por um ministro para chamar de seu. O compromisso do presidente Lula é o de indicar um ministro que a sociedade, como um todo, possa chamar de nosso.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/indicacao-ao-stf-exige-visao-de-estado-e-nao-conveniencia-politica-diz-lider-do-prerrogativas/

