Inflação pesa contra Trump antes das eleições nos EUA

Donald Trump fala a apoiadores em comício no Five Flags Center, em Dubuque, Iowa. Foto: Evan Vucci/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega à véspera das eleições de meio de mandato com a inflação e o custo de vida entre as principais preocupações dos eleitores, que decidirão se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso. A votação ocorre nesta terça (3), e Trump não estará na cédula, mas seu desempenho econômico pesa na escolha dos americanos.

Preços elevados de combustíveis, serviços públicos e refeições alimentam o descontentamento. Parte dos eleitores atribui a inflação persistente às tarifas comerciais adotadas pelo governo e à guerra com o Irã, que elevou os custos da energia em vários países.

Os indicadores econômicos apresentam um quadro dividido. A confiança dos consumidores piorou desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, embora o índice do Conference Board tenha registrado melhora em outubro. Já o levantamento da Universidade de Michigan atingiu um dos níveis mais baixos de sua história.

O mercado de trabalho segue como um dos pontos favoráveis ao governo. A taxa de desemprego ficou em 4,2% em setembro e não supera 4,5% há cinco anos, enquanto os pedidos semanais de auxílio-desemprego permanecem próximos do menor nível em 57 anos.

Eleitores votam nas eleições dos Estados Unidos. Foto: Jeff Kowalsky/AFP

Mercado financeiro e inteligência artificial sustentam crescimento

A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no último trimestre, o melhor resultado do ano. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à CNBC que “o comportamento do consumidor está bastante sólido” e citou também a força das empresas.

Os investimentos corporativos avançaram a uma taxa anualizada de 12,7% no período, impulsionados pela demanda por tecnologias de inteligência artificial. As bolsas americanas acumularam dezenas de recordes em 2026, elevando reservas de aposentadoria ligadas a ações, embora famílias de renda alta concentrem a maior parcela desses ativos.

Economistas, porém, apontam riscos nesse movimento. Resultados financeiros de empresas como Amazon e Intel levantaram dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial e contribuíram para uma queda forte de índices como o Nasdaq Composite.

Desde janeiro de 2025, os preços ao consumidor e a remuneração média por hora cresceram cerca de 5,5%, o que mantém o poder de compra dos trabalhadores praticamente no mesmo patamar do início do governo. O Federal Reserve elevou os juros em setembro e pode aumentar novamente o custo dos empréstimos em dezembro, enquanto financiamentos imobiliários de 30 anos acima de 7% dificultam a compra da casa própria.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/inflacao-e-desemprego-o-pessimismo-de-americanos-as-vesperas-das-eleicoes/