Influencers com visto de turismo não podem criar conteúdo na Copa do Mundo, dizem EUA

O influenciador e jogador de futebol Neymar. Foto: reprodução

Autoridades de imigração dos Estados Unidos anunciaram um endurecimento na fiscalização contra influenciadores digitais estrangeiros que entrarem no país com visto de turista durante a Copa do Mundo. A medida mira criadores de conteúdo que pretendem produzir material monetizado em plataformas digitais durante a permanência temporária em território estadunidense.

O posicionamento foi detalhado em nota conjunta da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. Segundo os órgãos, a criação de conteúdo com objetivo de gerar receita de fontes estadunidenses durante a estadia configura violação dos termos de admissão no país.

O visto de turista, na categoria B-2, é restrito a atividades de lazer, tratamentos de saúde ou visitas familiares. O descumprimento das regras pode levar ao cancelamento do documento, à deportação e ao impedimento de novas entradas nos Estados Unidos.

As diretrizes apontam como alternativa legal o visto O-1, destinado a pessoas com habilidades extraordinárias em áreas como artes, negócios ou esportes. Essa categoria permite atividades remuneradas em território estadunidense, incluindo publicidade, contratos de patrocínio, turnês promocionais e produção comercial de conteúdo.

A nova orientação afeta diretamente o planejamento de produtores de conteúdo internacionais às vésperas da Copa. O torneio terá 78 das 104 partidas disputadas em solo estadunidense, em cidades como Los Angeles, Nova York, Miami e São Francisco.

Segundo o jornal El País, fontes ligadas à administração do presidente Donald Trump afirmam que o objetivo central da nova postura é proteger o mercado de trabalho local. A orientação prevê aumento nas inspeções em aeroportos e portos de entrada.

A taça da Copa do Mundo nos EUA. Foto: Michael Regan/FIFA

Funcionários públicos ouvidos pelo jornal sob anonimato relatam que o monitoramento das redes sociais dos estrangeiros tem sido usado como evidência pelas autoridades. Muitos influenciadores registram publicamente desde o processo de obtenção do visto até gravações, parcerias comerciais e rotinas em cidades estadunidenses.

Casos recentes

A mudança na fiscalização ganhou força após a detenção de Khaby Lame, uma das maiores celebridades digitais do mundo, com mais de 160 milhões de seguidores. O influenciador senegalês-italiano, de 26 anos, foi detido em Las Vegas, no estado de Nevada, em junho de 2025, por permanecer nos Estados Unidos após o vencimento do período autorizado de seu visto.

Lame foi liberado posteriormente e deixou o país de forma voluntária para evitar uma ordem formal de deportação, medida que poderia impedi-lo de retornar ao território estadunidense por vários anos.

Outro caso citado foi o do venezuelano Leonel Moreno, conhecido nas redes sociais como o “influenciador migrante”. Ele entrou no radar do governo federal estadunidense após publicar vídeos em que incentivava condutas consideradas ilícitas, como a ocupação de imóveis abandonados e a exploração de programas de assistência social.

Moreno tinha um processo de asilo em andamento, mas violou os termos do benefício ao deixar de comparecer a convocações obrigatórias de supervisão do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). Em vídeos nas redes, ele exibia cédulas de US$ 100 e dizia que os valores seriam fruto de auxílios governamentais.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/influencers-com-visto-de-turismo-nao-podem-criar-conteudo-na-copa-do-mundo-dizem-eua/