Tenho dito que influenciadores não deveriam existir.
Não apenas porque ganham dinheiro ostentando nas redes sociais — quer dizer, ganham dinheiro por já terem dinheiro — e divulgando tigrinho, mas sobretudo por serem um sintoma medonho da pós-modernidade: os estandartes de si mesmos.
Essa gente se considera muito importante, provavelmente porque milhões de pessoas idiotizadas ocupam seu tempo de vida acompanhando um cotidiano fútil, que em nada acrescenta à vida de ninguém.
Sabe aquelas pessoas que assistem aos stories da Virgínia e falam de suas filhas com certa intimidade ridícula e desconcertante? Aquelas que sabem tudo sobre subcelebridades que gente com o mínimo de noção só conhece porque é obrigada?
Então: elas são culpadas por gente como Virgínia e Rafa Kalimann existirem.
Essa segunda, aliás, me dá nos nervos de um jeito muito específico: fez fortuna namorando famoso e posando de boa samaritana nas redes. A ex-BBB ficou conhecida por trabalhos sociais com criancinhas africanas.
Que fofa. Ou melhor: tudo pelo like.
Não contente em ganhar dinheiro com publi e explorando a própria imagem na internet, como tantas outras, enquanto milhões lotam os metrôs às 18h em escala 6×1, ela adora se vitimizar para aparecer.
Agora que ajudar crianças pretas e filmar não está pegando muito bem — finalmente descobriram que isso significa nada menos do que a estetização da miséria alheia —, ela passou de boa samaritana a residente permanente da coitadolândia.
“De ontem para hoje eu ouvi que não merecia estar grávida (…) só espero que a neném não acredite que eu sou o que pintam de mim na mídia”, disse, em entrevista.
é impressionante como a rafa kalimann tenta se vitimizar a todo custo pra aparecer pic.twitter.com/cWAD5xyJTO
— de cassandra (@folkglass) May 11, 2026
Que vida dura, hein?
É irritante como essa gente expõe até os pentelhos e depois reclama de hate.
Meu amor, exposição tem um preço.
Se você ganha dinheiro com sua vida privada, você a coloca em jogo: sua audiência te ama e te odeia ao mesmo tempo, e você precisa lidar com isso se quiser continuar vivendo de publi.
A mulher é milionária, pariu numa casa luxuosa, com doula para todo lado, filmou cada detalhe para postar — com equipe de filmagem e tudo — e depois dá entrevista se vitimizando num país em que a realidade é, de fato, dura para tanta gente?
Quando a futilidade encontra o vitimismo, o resultado é esse tipo de vergonha alheia: influenciadores totalmente descolados da realidade e que muitas vezes realmente se acreditam vítimas do mundo sem nunca terem sabido o que é pegar um ônibus.
Não quer sofrer hate? Não quer que a neném pense isso ou aquilo?
Simples: fecha o Instagram e vai trabalhar.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/influenciadores-nao-deveriam-existir-e-eu-posso-provar-o-vitimismo-remunerado-de-rafa-kalimann/

