Instagram expõe menores a vídeos de sexo explícito e links pornográficos; entenda

Publicação no Instagram exibia vídeos de atos sexuais sobrepostos a um mosaico de fotos convencionais de uma jovem. Foto: Reprodução

Dezenas de perfis no Instagram exibem conteúdos pornográficos há pelo menos três meses, burlando os sistemas de segurança da plataforma e acumulando milhões de visualizações. Parte das publicações aparece na aba Reels, onde o alcance é ampliado pelo algoritmo mesmo para usuários que não seguem as contas. Com informações da Folha de S. Paulo.

Além do conteúdo adulto, alguns perfis indicam links suspeitos, que podem levar a páginas falsas, invasão de dispositivos e roubo de dados pessoais. Em determinados casos, o material também foi acessado por menores de 18 anos, o que contraria regras de proteção a crianças e adolescentes na internet.

A Meta informou que removeu de forma “proativa” 96% das publicações que violavam suas políticas contra exploração sexual infantil e 92% das publicações com nudez entre outubro e dezembro de 2025. As contas apontadas pela reportagem foram enviadas para análise da moderação e retiradas do ar, segundo a empresa.

“A Meta não possui qualquer interesse na manutenção de conteúdo que viole as suas políticas, como é o caso de conteúdo sexualmente explícito ou envolvendo nudez. Pelo contrário. A Meta emprega amplos esforços, incluindo o investimento em tecnologia, para mitigar os riscos de que tais conteúdos circulem em suas plataformas”, afirmou a companhia.

A legislação conhecida como ECA Digital determina que plataformas devem “oferecer sistemas e processos projetados para impedir que crianças e adolescentes encontrem, por meio do produto ou serviço, conteúdos ilegais e pornográficos”.

Instagram mantém vídeo com nudez no ar por mais de três semanas. Foto: Reprodução

A ANPD afirmou que “a infração estaria caracterizada se medidas razoáveis não estiverem sendo tomadas. Ficando comprovado que houve falha no cumprimento desse dever, a conduta seria passível de punição”. Segundo a apuração, os perfis usam montagens, imagens em preto e branco, sobreposição de camadas e vídeos curtos para confundir os filtros automatizados da Meta.

O professor Arlindo Galvão, da UFG, explica que esse tipo de edição dificulta a identificação automática. “Conteúdo explícito é fácil de detectar se existe uma só mídia, mas quando há múltiplas mídias gera uma confusão”, afirmou.

Em testes feitos com dez perfis, sete exibiram conteúdo impróprio para uma conta cadastrada como sendo de um adolescente de 16 anos, mesmo com ferramentas de proteção ativadas. A Meta disse que, desde março, limita automaticamente o acesso de usuários de 13 a 17 anos a conteúdo sensível.

“Uma pesquisa recente realizada por um terceiro nos Estados Unidos indicou que as contas de adolescente do Instagram na configuração padrão visualizaram 68% menos ‘conteúdo para usuários mais maduros’ do que na experiência para adolescentes de um concorrente analisado”, declarou.

Especialistas em tecnologia também identificaram malwares em links associados às publicações. Para Anderson Tavares, professor de ciência da computação da UFRGS, a disputa entre plataformas e contas que tentam burlar filtros é contínua. “É sempre uma corrida de gato e rato: o detector se aperfeiçoa, e quem quer burlar se adapta para escapar”, afirmou.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/instagram-expoe-menores-a-videos-de-sexo-explicito-e-links-pornograficos-entenda/