O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste sábado (14) que o país poderá atacar instalações de empresas americanas caso estruturas iranianas de energia sejam atingidas durante o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel. A declaração foi divulgada pela televisão estatal iraniana após bombardeios americanos contra alvos militares na ilha de Kharg, no Golfo Pérsico.
Segundo Araghchi, a resposta poderá atingir empresas dos Estados Unidos ou companhias nas quais o país possua participação. O ministro declarou que a reação será conduzida com cautela para evitar áreas densamente povoadas, mas indicou que instalações ligadas a interesses americanos na região poderão ser consideradas alvos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou na sexta-feira (13) que forças americanas atingiram “todos os alvos militares” na ilha de Kharg. Em publicação nas redes sociais, ele disse que a infraestrutura petrolífera foi preservada, mas afirmou que a situação pode mudar caso o Irã tente bloquear o Estreito de Ormuz, principal rota marítima para transporte de petróleo.
Autoridades iranianas já haviam advertido anteriormente que portos, bases e instalações militares associadas aos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos poderiam ser considerados alvos. Relatos de ataques e incidentes em países do Golfo também foram registrados, incluindo um incêndio no porto de Fujairah, importante centro de armazenamento de petróleo na região.

A ilha de Kharg é o principal terminal de exportação de petróleo do Irã e concentra grande parte do escoamento da produção do país. Construída na década de 1960, a estrutura permite o embarque de superpetroleiros, algo que não é possível em boa parte do litoral iraniano, onde as águas são rasas.
Durante a Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, Kharg foi alvo frequente de bombardeios, mas o governo iraniano manteve parte das operações por meio de sistemas improvisados de carregamento. A centralização das exportações na ilha faz com que o local seja considerado estratégico em qualquer cenário de conflito.
Autoridades americanas avaliam que a infraestrutura petrolífera iraniana tem impacto direto no mercado internacional de energia. Integrantes do governo dos Estados Unidos indicaram que qualquer ação militar precisa considerar o risco de aumento no preço do petróleo e de ampliação do conflito no Oriente Médio.
A campanha militar atual divide responsabilidades entre aliados. Ataques israelenses têm se concentrado no oeste e no centro do Irã, enquanto forças americanas atuam no sul do país e nas águas do Golfo Pérsico. Até o momento, a ilha de Kharg não foi atingida diretamente por bombardeios recentes, mas permanece como um dos pontos mais sensíveis do conflito.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ira-ameaca-atacar-empresas-dos-eua-se-instalacoes-forem-bombardeadas/

