Mais de 40 empresas dos EUA não querem tarifaço de Trump contra o Brasil

Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro em encontro com Trump para discutir tarifaço contra o Brasil

O Ministério das Relações Exteriores mapeou 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos que pedem ao governo de Donald Trump que produtos brasileiros fiquem fora do tarifaço em análise por Washington. O levantamento entrou na resposta oficial enviada pelo governo brasileiro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos e ganhou peso porque a investigação pode resultar em uma tarifa adicional de 25% sobre itens exportados pelo Brasil.

As entidades americanas argumentaram que não há substitutos produzidos no mercado doméstico dos EUA para esses produtos. Elas também alertaram que a cobrança elevaria custos para consumidores americanos e para indústrias dos Estados Unidos que usam itens brasileiros como insumos na fabricação de outros produtos.

No documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o governo brasileiro rebate a investigação aberta pelo USTR, que acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com empresas americanas. A resposta de Brasília usa manifestações de atores econômicos dos próprios Estados Unidos para sustentar que a medida atingiria cadeias produtivas americanas.

O Itamaraty não informou quais empresas e quais produtos aparecem no mapeamento. O g1 questionou o ministério sobre a lista identificada pelo governo brasileiro, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem.

Audiências públicas reúnem setores dos dois países

Eduardo e Flavio Bolsonaro na audiência do USTR — Foto: Reprodução via X

O USTR abriu na segunda-feira (06) a fase de audiências públicas da investigação, com participação de interessados previamente inscritos. Representantes de associações brasileiras e americanas de setores como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual participaram das sessões.

O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, Abrão Neto, afirmou que “a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”.

Neto citou que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor nível já registrado, enquanto as importações brasileiras vindas dos EUA recuaram 11% no mesmo período. “Essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado às custas das empresas americanas”, disse.

Representantes de empresas que participaram das audiências avaliam que a adoção de novas tarifas é praticamente inevitável, mas esperam que o alcance da medida seja calibrado conforme seus efeitos sobre a economia americana. Um dos argumentos apresentados é que encarecer produtos brasileiros pode ampliar a dependência das cadeias produtivas dos EUA de insumos e componentes vindos da China, efeito contrário à estratégia comercial do governo Trump.

A investigação comercial dos Estados Unidos cita, entre outros pontos, o funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais do Brasil com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, proteção da propriedade intelectual e combate à corrupção. A proposta inclui exceções para produtos considerados estratégicos, como café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos.

O governo americano prevê concluir as consultas e decidir sobre a eventual aplicação das medidas até 15 de julho. A tarifa de 25% ainda não entrou em vigor e depende do cumprimento das etapas previstas na legislação dos Estados Unidos.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/itamaraty-lista-43-entidades-dos-eua-contra-tarifaco-de-trump/