Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o empresário Roberto Justus negociou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro a recompra de uma participação na Steelcorp antes de as cotas serem vendidas ao Banco de Brasília (BRB). As conversas contrariam a versão pública de Justus de que ele não sabia que Vorcaro era o investidor por trás de um fundo parceiro da empresa.
Vorcaro havia aportado R$ 130 milhões na Steelcorp, companhia de estruturas modulares para a construção civil, em julho de 2024. O investimento ocorreu por uma cadeia de fundos administrados pela Reag: o Dynamic, de forma direta, e o SH FIPM, indiretamente.
Em meados de 2025, Justus procurou Vorcaro para rever os termos do investimento. Em uma das mensagens reveladas pelo Poder360, o empresário escreveu: “Nunca na minha vida fiquei tão decepcionado com alguém. O que me custa me receber por uma horinha para resolvermos aquele assunto”.
Justus afirmou que precisaria pedir recuperação judicial se a dívida continuasse em seu balanço e disse que Vorcaro perderia o investimento. Ao discutir uma proposta de pagamento, perguntou ao banqueiro: “Mas o cotista do fundo não é você?”, frase que aponta conhecimento sobre quem estava por trás dos recursos.

Proposta de R$ 130 milhões perdeu espaço para negócio com o BRB
Em 4 de setembro de 2025, Justus propôs recomprar as ações por R$ 130 milhões, com pagamentos escalonados em quatro anos e metade do valor no quinto ano. Mais tarde, ofereceu concluir o pagamento em quatro anos, mas voltou a apresentar exigências após Vorcaro aceitar os termos.
O banqueiro respondeu que não pretendia sair da Steelcorp, mas aceitaria a operação para ajudar Justus. “Estou topando sair sem qualquer prêmio e num prazo longuíssimo, para atender e ajudar, só por isso. Mas eu não ter ao menos o valor que aportei garantido ao longo do tempo não faz o menor sentido”, escreveu Vorcaro.
Enquanto tratava da recompra, Vorcaro também negociava a participação com o BRB. O Master chegou a oferecer as cotas da Steelcorp por R$ 500 milhões, e Paulo Henrique Costa, então presidente do banco público do Distrito Federal, discutiu uma oferta de R$ 250 milhões.
Em 2 de outubro de 2025, o BRB formalizou a compra do fundo SH FIPM por R$ 350 milhões à vista. Um parecer de risco registrou que o banco ainda não tinha recebido comprovação de que o Master era o beneficiário do fundo.
Documentos apresentados pela defesa do advogado Daniel Monteiro em inquérito no STF apontam que as minutas da operação com Justus chegaram a ser preparadas, incluindo distrato do aporte e garantias relacionadas a seis notas comerciais da Steelcorp. A venda ao BRB, por valor superior e pagamento imediato, não levou a negociação com Justus adiante.
Em janeiro deste ano, após a Folha revelar que o fundo SH era controlado pelo Master, Justus disse que descobriu a ligação apenas depois da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025. Procurado por canais pessoais e pela Steelcorp, o empresário não respondeu.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/justus-vorcaro-negociacao-cotas-steelcorp-brb/


