Tarcísio se afasta de aliados investigados em São Paulo

Tarcísio de Freitas participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite e Milton Leite Filho. Foto: Reprodução

O entorno do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenta desvinculá-lo de dois aliados atingidos por investigações policiais às vésperas da eleição: o deputado federal Cezinha de Madureira (PL) e o ex-vereador Milton Leite, presidente do União Brasil em São Paulo. A estratégia cita disputas por espaço no governo e classifica parte da relação com Leite como institucional. Com informações de Metrópoles.

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Cezinha na última semana, em investigação sobre um suposto esquema de venda de influência em decisões judiciais. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a medida.

Cezinha é próximo do ministro André Mendonça, do STF, e participou da campanha de Tarcísio em São Paulo. O governador gravou uma peça eleitoral para o deputado, na qual o chamou de amigo e afirmou que ele foi importante quando sua candidatura ainda enfrentava desconfiança.

Na propaganda, Tarcísio disse que Cezinha “me abriu as portas quando eu cheguei em São Paulo” e declarou: “ele foi muito importante na nossa caminhada”. Pessoas do Palácio dos Bandeirantes afirmam que a campanha do governador não pretende montar uma estratégia específica de resposta ao caso.

Cezinha de Madureira (PL)

Disputa por cargos e influência de Cezinha no Detran

Aliados do governador lembram que Cezinha se irritou no início da administração por não conseguir indicar nomes para postos estaduais, sobretudo no Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Um ex-secretário afirmou que o deputado chegou “com muita sede ao pote”, mas encontrou resistência de uma gestão que apresentava perfil técnico.

Servidores que trabalharam em governos anteriores relatam que Cezinha exercia influência no órgão de trânsito, espaço que perdeu com a chegada de Tarcísio. O deputado também articulou a indicação do advogado Maxwell Borges de Moura Vieira ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo; Maxwell presidiu o Detran-SP entre 2017 e 2018 e é aliado de Mendonça.

Milton Leite foi preso na última sexta-feira após passar mais de 24 horas foragido. A Polícia Civil e o Ministério Público investigam a infiltração do crime organizado no transporte público da capital paulista, e o ex-vereador virou alvo de questionamentos pela suposta ligação com o PCC.

O governo paulista sustenta que Tarcísio manteve uma relação institucional com Leite, então presidente da Câmara Municipal, embora aliados reconheçam sua influência na zona sul da capital. O governador retirou indicações ligadas ao cacique do União Brasil de áreas como o Departamento de Estradas de Rodagem e transportes, mas Leite ajudou a viabilizar na Câmara a adesão da cidade à privatização da Sabesp.

Após um período de distanciamento, Tarcísio e Milton Leite se reaproximaram desde o ano passado e conversaram sobre a chapa de candidatos do União Brasil. Em 30 de agosto, o governador participou do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite e Milton Leite Filho e elogiou a família: “Assim que nós chegamos em São Paulo, nós fomos abraçados por eles, uma parceria enorme”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/limpinho-como-grupo-de-tarcisio-tenta-afasta-lo-de-aliados-investigados-as-vesperas-da-eleicao/