A negociação das novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início de junho, está entre as principais prioridades do governo brasileiro na reunião do G7, realizada na França nesta semana. O grupo reúne algumas das maiores economias do mundo e discute temas como economia, conflitos, clima e segurança.
Segundo o G1, diplomatas brasileiros apostam em um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump para destravar as negociações. A reunião bilateral, porém, ainda não foi confirmada. O fato de os dois líderes não terem interagido ao posar para a foto oficial do grupo foi visto como sinal negativo por interlocutores.
O Brasil não integra o G7, mas pode ser convidado para participar de reuniões do bloco, como ocorreu na atual cúpula. O governo brasileiro tenta negociar a retirada das tarifas desde o ano passado, quando Trump anunciou as primeiras taxas de importação sobre produtos do país.
Houve avanço em novembro de 2025, quando a Casa Branca eliminou a tarifa de 40% aplicada a diversos itens exportados pelo Brasil. As novas tarifas de 25%, anunciadas neste mês, são vistas pelo governo Lula como uma medida mais política do que comercial.
Integrantes do governo afirmam que a decisão ignora argumentos técnicos apresentados por representantes brasileiros nos últimos meses. A medida, porém, segue um padrão adotado por Trump em outras ocasiões: o uso de tarifas como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas.

Em 2018, Trump anunciou tarifas sobre importações de aço e alumínio, produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos. Depois, os dois países negociaram um sistema de cotas que permitia a venda com isenção ou redução de tarifas até determinado limite.
No caso mais recente, o governo estadunidense afirmou que uma investigação do Escritório de Comércio concluiu que o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis” por onerar ou restringir o comércio com o país. A proposta foi aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Em decreto posterior, Trump citou 60 países, entre eles o Brasil, que teriam falhado em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A consequência seria uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a taxação potencial sobre produtos brasileiros para 37,5%.
Apesar disso, os Estados Unidos divulgaram uma lista ampla de exceções. No caso brasileiro, os produtos excluídos representam cerca de 60% das exportações ao mercado estadunidense.
“Em nossa avaliação, o impacto econômico direto tende a ser limitado, uma vez que a lista de isenções permanece extensa e abrange parcela significativa das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos”, afirmaram os analistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes, do BTG Pactual.
A diretora da Faculdade de Relações Internacionais da PUC-Campinas, Kelly Ferreira, avalia que a estratégia tarifária é recorrente no governo Trump. “Trump usa essa questão tarifária como uma arma, e já vimos isso várias vezes. No Brasil, quando houve o choque com o nosso judiciário, ou na Índia, que continuava a comprar petróleo russo”, disse.
“E mesmo que a Suprema Corte americana já tenha tentado derrubar as tarifas globais impostas em 2025, o Trump está sempre buscando novas formas de usar essas taxas a seu favor”, completou.
Lula afirmou que enviaria uma nova carta a Trump para tratar do tema. “A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível”, declarou.
Mesmo sem definição sobre as tarifas, o governo brasileiro afirma que manterá as negociações. A expectativa é que Lula aproveite a cúpula para reforçar laços com outras economias e com a União Europeia.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lula-aposta-em-encontros-no-g7-para-frear-tariflavio-e-novas-ameacas-de-trump/

