Foto: Reprodução/YouTube/Canal Gov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste domingo, na IV Cúpula CELAC-União Europeia, na Colômbia, um discurso centrado na soberania regional e na necessidade de reconstruir a integração latino-americana. Logo no início, prestou solidariedade às vítimas das tempestades no Caribe e no Paraná. Lula afirmou que o encontro ocorre em um momento crítico. “Voltamos a ser uma região balcanizada e dividida”, disse, lamentando que a América Latina esteja “mais voltada para fora do que para si própria”.
Lula dedicou parte importante da fala a alertar para o avanço da intolerância e do extremismo. “A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa”, afirmou. O presidente associou o enfraquecimento democrático a “projetos pessoais de apego ao poder” e ao impacto da desinformação. Para ele, as cúpulas regionais viraram “rituais vazios”, dos quais se ausentam líderes essenciais.
Ao tratar de segurança, Lula destacou que o crime organizado corrói democracias tanto quanto violações de direito internacional. “A democracia sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos e destrói famílias”, afirmou. Ele defendeu repressão firme às organizações criminosas, com foco no rastreamento financeiro e no tráfico de armas. “Nenhum país pode enfrentar esse desafio isoladamente”, declarou, citando o novo comando tripartite na fronteira com Argentina e Paraguai e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia.
Presidente Lula discursa na IV Cúpula CELAC-UE https://t.co/kbRrxMaPaC
— Lula (@LulaOficial) November 9, 2025
O presidente também vinculou a agenda climática à soberania latino-americana. Sobre a COP30, disse que o encontro na Amazônia é oportunidade para mostrar que “conservar as florestas é cuidar do futuro do planeta”. Ele citou o Fundo de Florestas Tropicais Para Sempre, defendendo que a floresta “vale mais em pé do que derrubada”. A transição energética, reforçou, é inevitável, e a região pode “acelerar a redução da dependência dos combustíveis fósseis”.
No campo econômico, Lula defendeu a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia. “Espero que os dois blocos possam finalmente dizer sim”, afirmou, projetando um mercado de 718 milhões de pessoas. Ele disse que América Latina e Caribe precisam romper o papel histórico de apenas fornecedores de matérias-primas. “Nossas cadeias produtivas podem reverter essa lógica”, declarou.
Lula encerrou o discurso defendendo maior protagonismo feminino no sistema internacional. “É chegada a hora de ter uma latino-americana no cargo de secretária-geral da ONU”, afirmou. Para ele, a parceria CELAC-UE deve enviar “um sinal de compromisso com paz, cooperação, ampliação do comércio e crescimento sustentável”. Segundo Lula, esse é o caminho para um “futuro inclusivo e repleto de oportunidades”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lula-cobra-integracao-latino-americana-e-alerta-para-avanco-da-intolerancia-na-celac-ue/

