Lula evita armadilhas de Trump em encontro de 3 horas e arranca trégua diplomática na Casa Branca

Momento em que Donald Trump recebe Lula. Foto: Reprodução

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump terminou sem armadilhas públicas que marcaram reuniões recentes do republicano com líderes estrangeiros — e o Palácio do Planalto saiu comemorando o resultado político da visita a Washington.

A reunião, prevista inicialmente para durar apenas 45 minutos, se estendeu por quase três horas. Só no Salão Oval, os dois presidentes conversaram por mais de uma hora e vinte minutos antes de seguirem para um almoço reservado oferecido por Trump em seu gabinete, gesto interpretado por diplomatas brasileiros como um forte sinal de distensão.

Desde a chegada de Lula à Casa Branca, a diplomacia brasileira trabalhou para neutralizar possíveis constrangimentos públicos. O brasileiro foi recebido em tapete vermelho pela ala Sul da residência oficial americana — a mesma entrada usada recentemente pelo rei Charles III.

Trump também evitou um de seus gestos mais conhecidos: o aperto de mão agressivo usado para intimidar chefes de Estado. Sem puxões ou encenações diante das câmeras, Lula respondeu com um tapinha no ombro do republicano e um simples “Como vai?”, em cena vista com alívio por diplomatas.

Mas o principal movimento para evitar armadilhas veio nos bastidores. A Casa Branca aceitou um pedido do governo brasileiro para impedir a entrada prévia da imprensa no Salão Oval antes da reunião — prática comum nas agendas de Trump e frequentemente usada para constranger aliados e adversários diante das câmeras.

O pronunciamento conjunto previsto no próprio Salão Oval, palco de diversas armadilhas políticas promovidas por Trump, acabou cancelado. A decisão foi interpretada no Planalto como uma vitória diplomática de Lula, que buscava concentrar a conversa em negociações concretas e evitar espetáculos midiáticos.

A cautela brasileira vinha crescendo desde que setores bolsonaristas passaram a pressionar aliados de Trump nos Estados Unidos para desgastar a visita e reduzir seus efeitos políticos. Mesmo assim, Lula conseguiu preservar o encontro de ataques públicos e manteve aberto o canal direto com o presidente americano.

O contexto também favoreceu a postura defensiva adotada pelo governo brasileiro. Trump enfrenta queda de popularidade nos EUA e sofre desgaste interno por causa da campanha militar contra o Irã, contestada até por parte de sua base conservadora.

Na mesa de negociação, os temas eram delicados. Lula levou aos americanos a proposta de cooperação contra o crime organizado, mas rejeitou qualquer possibilidade de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

A posição brasileira foi apresentada de forma direta: “não existem terroristas no Brasil”. A delegação levou dados sobre o combate ao narcotráfico e insistiu na distinção entre facções criminosas e terrorismo.

O governo brasileiro também rebateu as pressões comerciais dos EUA e contestou novas tarifas contra produtos nacionais. Do lado americano, Trump demonstrou interesse em ampliar acordos ligados à exploração de terras raras, enquanto o Brasil deixou claro que não aceitará o papel de simples exportador de minério bruto e quer processamento industrial dentro do país.

Nos bastidores, porém, a prioridade estratégica da viagem era outra: estabelecer uma espécie de pacto de não ingerência entre Brasília e Washington em meio ao ambiente pré-eleitoral brasileiro.

A avaliação do Planalto é que Lula conseguiu ao menos reduzir o risco de uma intervenção direta de Trump na política brasileira. O temor da diplomacia brasileira continua concentrado na atuação de alas radicais do trumpismo, de big techs e de grupos ultraconservadores americanos que poderiam atuar para desestabilizar o processo eleitoral brasileiro.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lula-evita-armadilhas-de-trump-em-encontro-de-3-horas-e-arranca-tregua-diplomatica-na-casa-branca/