Lula evita ruptura com Alcolumbre após derrota de Messias, mas prepara reação no governo

O presidente da República, Lula, e Davi Alcolumbre – Reprodução

Lula decidiu evitar uma ruptura direta com Davi Alcolumbre após a derrota de Jorge Messias no Senado, mas já prepara uma reação política contra o presidente da Casa. Nos bastidores do Planalto, a avaliação é que a articulação conduzida por Alcolumbre teve peso decisivo para a rejeição do nome indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são de Lauro Jardim, do O Globo.

A derrota foi considerada histórica pelo governo. Em 29 de abril, o Senado rejeitou a indicação de Messias por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para assumir uma cadeira no STF, o indicado precisava de ao menos 41 votos favoráveis. Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado barrou uma indicação presidencial para a Corte. Senado Federal

Nos dias seguintes ao revés, Lula determinou que o ministro José Guimarães, que assumiu espaço central na articulação política do governo, levantasse todos os cargos ligados a Alcolumbre no terceiro escalão federal. O mapeamento inclui postos ocupados por aliados do senador tanto no Amapá quanto em outros estados.

Jorge Messias
Jorge Messias, da AGU – Reprodução

A intenção do Planalto é identificar quais desses indicados continuarão alinhados ao governo nas eleições de 2026. A movimentação é vista internamente como uma forma de enviar um recado político a Alcolumbre sem provocar uma crise institucional aberta entre Executivo e Senado.

Integrantes do governo defendem uma reação mais dura contra o presidente do Senado, incluindo exonerações imediatas de aliados. Lula, porém, optou por uma linha mais cautelosa. A avaliação no núcleo político é que um rompimento definitivo poderia ampliar a dificuldade do governo em votações importantes no Congresso.

Mesmo assim, auxiliares próximos ao presidente admitem que o Palácio do Planalto não pretende deixar a derrota de Messias sem consequências. A chamada “faxina” em cargos ocupados por aliados de Alcolumbre é tratada como uma resposta inicial para demonstrar força política e reorganizar espaços considerados estratégicos dentro da máquina federal.

A relação entre Lula e Alcolumbre já vinha sendo marcada por desgaste nos últimos meses. O senador ampliou sua influência no Congresso e passou a atuar com mais independência em relação ao Planalto, inclusive em pautas consideradas prioritárias pelo governo.

A rejeição de Jorge Messias aprofundou a crise. No governo, parte dos aliados considera que Alcolumbre estimulou o movimento contrário ao indicado para fortalecer sua posição política e ampliar poder de negociação diante do Executivo.

Apesar do clima de tensão, Lula ainda mantém aberta a possibilidade de uma reaproximação futura. A estratégia do presidente é evitar um confronto irreversível com Alcolumbre enquanto tenta reorganizar sua base política no Senado para reduzir novos riscos de derrotas em votações importantes.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lula-evita-ruptura-com-alcolumbre-apos-derrota-de-messias-mas-prepara-reacao-no-governo/