Fiscais do Trabalho aplicaram 193 autuações à rede Madero por irregularidades encontradas em unidades de Minas Gerais e na matriz da empresa, em Ponta Grossa (PR). A fiscalização ocorreu entre março e julho de 2025 e apontou problemas como falta de registro de empregados, jornadas excessivas, alojamentos inadequados, discriminação em processos seletivos e ausência de políticas de prevenção ao assédio moral e sexual. Com informações do G1.
De acordo com os auditores, jovens contratados em cidades do Norte e Nordeste eram deslocados para outras regiões sem poder escolher o destino e, em alguns casos, começavam a trabalhar antes de ter registro formal em carteira. Editais de contratação exigiam faixa etária entre 18 e 25 anos e informações sobre estado civil e filhos, o que é considerado ilegal. “Encontramos editais de contratação que pediam faixa etária específica, o que é proibido por lei”, disse a auditora Odete Cristina Pereira Reis.
O relatório também apontou regras rígidas em alojamentos, descontos salariais variáveis e penalizações por descumprimento de normas internas, como não fazer faxina ou receber visitas. Em alguns casos, os funcionários precisavam caminhar até 40 minutos até os restaurantes, sem vale-transporte, mesmo após turnos que terminavam de madrugada. Além disso, foram registradas situações de assédio moral organizacional, com monitoramento constante e metas de produtividade abusivas.
A Secretaria de Inspeção do Trabalho estima que as multas decorrentes das autuações podem chegar a R$ 3,4 milhões, valor que será definido conforme a análise de cada infração. Os autos foram encaminhados ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual e a sindicatos da categoria. A rede poderá ser obrigada a regularizar contratos, adaptar alojamentos e criar medidas de combate ao assédio.
Junior Durski, fundador do Madero, já enfrentou momentos controversos em sua trajetória.


Em 2021 buscou um sócio para evitar a falência da rede, que acumulava dívidas bilionárias.
Em 2023, declarou torcer para o sucesso do governo Lula (PT) após afirmar ter se arrependido de apoiar Jair Bolsonaro (PL).
Após o anúncio das irregularidades encontradas pelo MPT, em nota, o Grupo Madero afirmou que recebeu o relatório “com respeito e atenção” e reiterou compromisso em melhorar as condições de trabalho.
A empresa destacou que oferece oportunidades de primeiro emprego em várias regiões do país e investe em capacitação, alimentação e acompanhamento dos funcionários. Também informou que está aberta ao diálogo com as autoridades para realizar os ajustes necessários.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/madero-de-bolsonarista-arrependido-recebe-200-autuacoes-por-irregularidades-trabalhistas/

