Mafioso relata acordo para PCC financiar metade da cocaína enviada à Itália

Vincenzo Pasquino, o mafioso que delatou o consórcio da ‘Ndrangheta com o PCC. Foto: Reprodução / Polícia Federal

O mafioso italiano Vincenzo Pasquino afirmou em delação que o PCC fechou um acordo com grupos da máfia italiana para financiar metade da cocaína enviada à Itália. O relato descreve a atuação da facção brasileira no tráfico internacional de drogas. Com informações do Uol.

Preso no Brasil em maio de 2021, em João Pessoa, na Paraíba, Pasquino afirmou que decidiu colaborar com a Justiça depois de perder apoio de pessoas próximas. “Decidi tomar esse caminho da colaboração com a Justiça porque as pessoas nas quais eu confiava me abandonaram”, disse em depoimento.

Segundo o delator, ele atuava como intermediário nas negociações entre o PCC e integrantes da Ndrangheta, organização criminosa com base na Calábria, no sul da Itália. “Integrantes da Ndrangheta me pediam para trabalhar com eles. Era eu quem mantinha contato com o PCC”, afirmou.

Pasquino relatou que o acordo previa a criação de um “consórcio” para viabilizar o envio de cocaína ao território italiano. De acordo com o depoimento, o PCC ficaria responsável por financiar 50% da droga, que entraria pelo porto de Gioia Tauro, uma das principais estruturas portuárias da Calábria.

Marcola, fundador e líder do PCC. Foto: reprodução

O mafioso também afirmou que a venda da cocaína na Itália ficaria sob responsabilidade de famílias ligadas ao crime organizado, como os Nirtas, de San Luca. A distribuição ocorreria principalmente na Sicília e no norte italiano, segundo o relato apresentado na colaboração.

No depoimento, Pasquino detalhou os valores negociados na operação. “O PCC vendia para a gente a cocaína a 5.000 euros o quilo, que se tornavam 7.500 euros no preço de saída [por causa dos custos nos portos]. A parte do PCC na venda na Itália tinha o preço mínimo acordado de 23.000 a 25.000 euros”, afirmou. Ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília em 28 de novembro de 2023 para iniciar a delação, acabou extraditado em março de 2024, prestou depoimento em 17 de maio do mesmo ano e foi condenado a 10 anos de prisão.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mafioso-relata-acordo-para-pcc-financiar-metade-da-cocaina-enviada-a-italia/