Grupo ligado a Marçal enfrenta problemas em Ironman

Pablo Marçal. Foto: Reprodução

Um grupo de participantes ligado ao coach Pablo Marçal enfrentou resgates, eliminações e denúncias por conduta antidesportiva durante o Ironman, um dos eventos esportivos de triatlo de longa distância mais difíceis do mundo, em Encarnación, no Paraguai. Ele também deixou a etapa de natação em um jet ski após não completar o percurso em águas abertas.

O organizador da competição, o triatleta Rodrigo Recalde Larrea, classificou a participação do grupo como irresponsável. “Em 23 anos no triatlo, eu nunca vi algo parecido”, disse, ao relatar que diversos inscritos demonstraram medo de nadar durante o reconhecimento do circuito.

A prova previa 1,9 quilômetro de natação, 90 quilômetros de ciclismo e 21,1 quilômetros de corrida. As chuvas e a correnteza do Rio Paraná fizeram a organização reduzir a distância na água para 1,5 quilômetro, mas as condições continuaram difíceis para os atletas.

Larrea afirmou que a organização reforçou a segurança depois de identificar um grupo grande sem condições de nadar por longo tempo no rio. O evento acrescentou 15 profissionais ao esquema de segurança, que chegou a 42 pessoas na etapa aquática, e contratou dez caiaques extras.

Eliminações e possíveis suspensões no Ironman

Dos 386 inscritos, 64 ultrapassaram o limite de 1h10 na natação e foram eliminados, como determinam as regras do Ironman. Entre eles, havia 35 brasileiros e ao menos 18 participantes associados ao grupo de Marçal.

Quatro atletas eliminados se recusaram a devolver o chip e deixaram de abandonar a disputa, segundo a organização. Três deles são brasileiros, e pelo menos dois integravam o grupo ligado a Marçal; eles podem receber suspensão de dois a quatro anos em competições da franquia.

O candidato à Presidência Wilson Grassi Jr., do Democracia Cristã, também seguiu na prova depois de exceder o tempo da natação. Ele reconheceu a infração e afirmou que aceitará uma eventual punição, mas sustentou que se preparou para a competição e atribuiu a dificuldade à correnteza.

Paulo Henriques, que se apresenta como sócio de Marçal, admitiu que foi eliminado na água e criticou a preparação de apenas 15 dias. “Não tem como se preparar para uma prova dessas em 15 dias. Se você quer vir para uma prova dessa, treine de verdade. Tem que fazer uns 6 meses de preparação, no mínimo”, afirmou.

Entre 25 inscritos que tinham Santana de Parnaíba (SP) como base, somente sete completaram a disputa. Quatro deles terminaram acima de oito horas, depois de a organização abrir exceção ao limite usual de 7h30 por causa da disponibilidade das vias.

A equipe de Marçal negou que ele tenha organizado ou liderado a ida dos participantes ao Paraguai. Em nota, afirmou que os competidores foram voluntariamente, treinaram de forma individual e participaram “por conta própria”, além de dizer que não tinha notícia de desordem ou violação das regras.

Desde 2022, Marçal responde a processo no interior de São Paulo por expor pessoas a perigo após liderar uma expedição ao Pico dos Marins, em Piquete (SP). A operação para resgatar 32 pessoas durou nove horas, e uma decisão judicial o proibiu de promover atividades externas sem autorização prévia de órgãos públicos.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/marcal-leva-grupo-despreparado-para-competicao-e-precisa-de-resgate/