O funeral de Estado de Ali Khamenei, em Teerã, reuniu não apenas aliados tradicionais do Irã, mas também representantes de países que participaram do esforço diplomático para conter a guerra entre Teerã e Washington. A cerimônia teve presença de delegações de dezenas de países e virou uma fotografia do novo tabuleiro político do Oriente Médio depois do conflito com Estados Unidos e Israel.
O nome de maior peso entre os mediadores foi o do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que viajou ao Irã para a despedida do ex-líder supremo. Islamabad teve papel central nas negociações entre Estados Unidos e Irã, ajudando a viabilizar o cessar-fogo de abril e o memorando de entendimento de junho, tratado como base para um acordo mais amplo de encerramento da guerra.
Sharif fez uma das declarações mais enfáticas da cerimônia. Chamou Khamenei de “grande estudioso” e “grande líder” e afirmou que o aiatolá demonstrou “resiliência, coragem, paciência e visão”. O premiê disse ainda que milhões de muçulmanos, no Irã e fora dele, lembrarão Khamenei como um líder que promoveu “mudanças profundas em tempos muito difíceis”.
O primeiro-ministro também vinculou a homenagem ao conflito recente, dizendo ter ido a Teerã prestar condolências pelo “martírio” de Khamenei, de seus familiares e de “milhares de irmãos e irmãs iranianos” mortos no que classificou como “agressão extrema”. “Paquistão e Irã são dois países irmãos. Nossos corações batem juntos”, afirmou. “Marcharemos juntos em todas as circunstâncias.”
3 July 2026 – Tehran, Iran
The Prime Minister of Pakistan led a high-level delegation that included Field Marshal Syed Asim Munir, Chief of Army Staff (COAS) and Chief of Defence Forces (CDF), Deputy PM & Foreign Minister Senator Mohammad Ishaq Dar, Interior Minister Syed Mohsin… pic.twitter.com/OISm0Bx9Ev
— Pakistan Armed Forces News 🇵🇰 (@PakistanFauj) July 4, 2026
A delegação paquistanesa também incluiu o chefe do Exército, marechal Asim Munir, e o ministro do Interior, Mohsin Naqvi. A presença do núcleo político e militar de Islamabad deu peso especial à cerimônia, já que o Paquistão funcionou como um dos principais canais entre Teerã e Washington durante a escalada militar.
Outro mediador importante que enviou representante foi o Qatar. O presidente do Conselho Shura, Hassan bin Abdullah Al Ghanim, liderou a delegação qatari e apresentou condolências ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Doha participou, ao lado do Paquistão, da negociação do memorando que prevê cessar-fogo de 60 dias, reabertura do Estreito de Hormuz e prazo para um acordo final sobre o programa nuclear iraniano.
A presença saudita também chamou atenção. A Arábia Saudita enviou o vice-ministro das Relações Exteriores, Walid al-Khuraiji, gesto visto como sinal de cautela diplomática em meio à tentativa de estabilização regional. Omã, outro país usado historicamente como ponte discreta em conversas envolvendo Teerã, também apareceu entre as delegações estrangeiras que viajaram ao Irã.
Entre os aliados estratégicos do Irã, a Rússia foi representada por Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança e ex-presidente do país. A China enviou He Wei, vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional. A lista ainda incluiu o presidente do Tajiquistão, Emomali Rahmon, o premiê da Armênia, Nikol Pashinyan, e o presidente da Geórgia, Mikheil Kavelashvili.
Após a visita a Teerã, Medvedev reforçou a dimensão estratégica da crise e disse que o Irã encontrou, no Estreito de Ormuz, uma arma “não mais fraca que a nuclear”. Segundo ele, ao bloquear ou restringir a passagem pelo estreito, Teerã demonstrou força e obrigou o tema a entrar no centro das negociações sobre a continuidade do fluxo marítimo.
O ex-presidente russo foi além e afirmou que o Irã teria ainda uma “arma termonuclear” na reserva: o Estreito de Bab-el-Mandeb, rota decisiva entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. Medvedev disse que, em caso de nova escalada militar, o bloqueio dessa passagem poderia “trancar” transportes de petróleo e outras cargas, agravando o impacto global do conflito.
⚡️JUST IN
Russia’s Medvedev after attending Ayatollah Khamenei’s Funeral:
“The Strait of Hormuz has become a Weapon no weaker than a Nuclear Weapon for Iran, but it also has a Thermonuclear Weapon in reserve – the Bab el-Mandeb Strait” pic.twitter.com/QuybkzuCQR
— Iran Observer (@IranObserver0) July 4, 2026
Também compareceram o vice-presidente da Turquia, Cevdet Yilmaz, representantes da Índia, autoridades do governo talibã no Afeganistão e o presidente do Parlamento de Bangladesh, Hafiz Uddin Ahmed. O Brasil foi representado pelo embaixador em Teerã, André Veras Guimarães.
A cerimônia, portanto, extrapolou o luto oficial e virou um ato diplomático. Enquanto as ruas de Teerã exibiam cartazes contra Trump, Estados Unidos e Israel, a presença dos mediadores indicou que a disputa não está apenas no campo simbólico: o funeral ocorreu justamente no intervalo das negociações que podem definir se a guerra será encerrada por acordo ou se voltará a escalar.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mediadores-da-tregua-entre-ira-e-eua-vao-ao-funeral-de-khamenei/

