Medo da concorrência? Trump estuda bloquear IAs chinesas mais baratas nos EUA

Donald Trump. Foto: Reprodução

O governo de Donald Trump avalia medidas que podem barrar, na prática, o uso de modelos avançados de inteligência artificial da China por empresas dos Estados Unidos, em meio ao avanço de sistemas como o Kimi K3 e à adoção crescente dessas ferramentas até no mercado norte-americano.

Uma das propostas em discussão colocaria laboratórios chineses de IA em uma lista de sanções, conhecida como Entity List. Com isso, companhias dos EUA precisariam de licença para acessar tecnologias desses grupos, especialmente modelos de “pesos abertos”, nos quais a estrutura interna pode ser baixada e executada em outros ambientes.

Outra linha analisada envolve alertas de segurança, novas exigências e até responsabilidade legal para empresas norte-americanas que hospedem ou ofereçam modelos chineses. Esse caminho criaria pressão regulatória sem depender de uma proibição direta por decreto.

Restrições colocam custos e segurança em disputa

Defensores das restrições tratam o tema como questão de segurança nacional. O argumento é que modelos baixados e executados fora do controle dos desenvolvedores podem virar uma caixa-preta difícil de auditar, com riscos de brechas ou usos não previstos por empresas e órgãos públicos.

Empresas dos EUA e da Europa têm recorrido a modelos chineses porque eles costumam sair mais baratos e atendem a diversas tarefas corporativas. Menos opções no mercado pode reduzir a concorrência e manter preços mais altos para companhias que usam IA em produtos, atendimento, análise de dados e desenvolvimento de software.

A pressão aumentou após a estreia do Kimi K3, da chinesa Moonshot AI, descrito como um dos maiores modelos abertos do mundo e com desempenho próximo ao de líderes norte-americanos. A corrida chinesa também inclui a prévia do Qwen3.8 Max, da Alibaba, além de outros modelos recentes que ganharam espaço fora da China.

A disputa ocorre enquanto o governo Trump também discute participação em empresas de IA, tema que envolve negociações com a OpenAI. David Sacks, ex-responsável do governo Trump por IA, criticou a possibilidade de restrição: “Estamos em um ponto de inflexão crítico na política de IA. Os principais laboratórios fechados, que já formam um duopólio em termos de receita de modelos de IA, querem que o governo elimine sua concorrência de código aberto.”

O analista de IA Max Weinbach escreveu no X que uma medida desse tipo “será lembrada como uma das jogadas mais estúpidas da história”. O CEO da Box, Aaron Levie, afirmou que, nos banimentos mais extremos, “a América reduziria as opções de modelos de IA em nosso mercado, enquanto o resto do mundo continuaria a ter acesso a modelos fechados e abertos”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/medo-da-concorrencia-trump-estuda-bloquear-ias-chinesas-mais-baratas-nos-eua/