Mendonça impõe condição para aceitar delação premiada de Vorcaro; saiba qual

André Mendonça, ministro do STF. Foto: reprodução

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), só pretende avançar na análise da delação premiada de Daniel Vorcaro se a Polícia Federal ou a Procuradoria-Geral da República (PGR) se envolverem diretamente nas tratativas. Relator do caso Banco Master, ele será responsável por homologar eventual acordo, mas não quer conduzir pessoalmente a negociação.

A posição aumenta a pressão sobre a defesa do ex-controlador do Banco Master, que tenta destravar a colaboração desde março, quando Vorcaro foi preso preventivamente pela segunda vez. Até agora, porém, os anexos apresentados foram considerados insuficientes por investigadores, de acordo com informações do Globo.

A Polícia Federal avalia que a segunda proposta não trouxe fatos novos nem provas capazes de justificar os benefícios previstos em um acordo de delação, como redução de pena ou progressão de regime. A corporação sinalizou que tende a recusar novamente o material. A PGR ainda analisa os documentos, mas também vê falta de evidências para avançar.

Nos bastidores da defesa, o clima é de pessimismo. Integrantes temem que a proposta não prospere e que Vorcaro deixe a sala de Estado-Maior na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está detido, para ser transferido a um presídio comum. Pessoas próximas a Mendonça afirmam que a hipótese é real e que dificilmente o ex-banqueiro permanecerá no espaço especial caso a delação não seja concretizada.

Daniel Vorcaro durante depoimento na PF. Foto: reprodução

Após assinar um acordo de confidencialidade, etapa inicial das conversas, Vorcaro passou a receber seus advogados diariamente, das 9h às 17h. O benefício, no entanto, termina nesta sexta-feira. A partir daí, ele deverá seguir o procedimento padrão da unidade, com visitas de até dois advogados e limite de 30 minutos para cada atendimento.

Interlocutores com acesso ao conteúdo afirmaram ao Globo que os anexos mencionam o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega irregularidades, e o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens já reveladas mostram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos a Vorcaro para a produção.

A defesa, comandada pelo criminalista Sérgio Leonardo, sustenta que o material entregue na semana passada traz histórias inéditas e consistentes. Interlocutores dos advogados avaliam que há má vontade dos investigadores para avançar com o acordo.

Na PGR, procuradores mantêm tom cauteloso. A avaliação é que a proposta precisa demonstrar com mais clareza a entrega de fatos novos e elementos de corroboração, como documentos, registros ou outros meios independentes de prova. Também há dúvidas sobre quais documentos Vorcaro ainda consegue acessar desde a liquidação do Banco Master e a transferência da gestão para um administrador.

A PF entende que a nova proposta não vai além do que já foi apurado nas oito fases da Operação Compliance Zero, com apreensão de celulares e documentos. Uma nova reunião deve ocorrer nesta semana para definir se haverá pedido de complementação ou interrupção das tratativas.

Um acordo de colaboração premiada exige confissão de crimes, pagamento de multa e entrega de provas. Para ter validade, precisa ser homologado por André Mendonça, que já indicou não aceitar uma delação sem fatos novos.

 

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mendonca-impoe-condicao-para-aceitar-delacao-premiada-de-vorcaro-saiba-qual/