Friedrich Merz completa seu primeiro ano como chanceler da Alemanha sob forte desgaste político. Segundo entrevista da cientista política Ulrike Franke à RFI, 85% dos alemães demonstram insatisfação com o governo. Para ela, o índice é expressivo mesmo considerando a conjuntura internacional e econômica adversa.
Franke afirma que a avaliação negativa do governo alemão passa por três fatores principais: o cenário externo, a situação econômica e as disputas internas da coalizão. “A situação internacional é difícil, assim como a situação econômica”, disse. Segundo ela, o governo também enfrenta “disputas demais” e “tensões por todos os lados”.
O terceiro ponto, na avaliação da pesquisadora, é o estilo de comunicação de Merz. Ela afirma que o chanceler comete “erros verbais” que afetam sua popularidade e sua atuação política. A Reuters também aponta que o estilo de comunicação de Merz, descrito por ele próprio como impulsivo em algumas ocasiões, tem provocado irritação entre eleitores.
O desgaste ocorre em meio à tensão com Donald Trump e à crise nas relações transatlânticas. Os Estados Unidos anunciaram a retirada de 5.000 militares da Alemanha após críticas de Merz à estratégia estadunidense na guerra contra o Irã. Franke, no entanto, relativiza o peso direto das falas do chanceler e afirma que Trump “tem suas próprias ideias” e “fará o que quiser, de qualquer forma”.
Enquanto a popularidade do governo cai, a política de defesa alemã segue em expansão. Merz assumiu o cargo com a meta de transformar a Bundeswehr no principal exército convencional da Europa. A nova estratégia militar alemã reafirma esse objetivo e coloca a defesa nacional e coletiva como missão central das Forças Armadas.
Segundo Franke, a Alemanha vive uma “Zeitenwende”, uma mudança de doutrina militar. O orçamento de defesa teve aumento significativo, com centenas de bilhões destinados à modernização das Forças Armadas. O processo, porém, é gradual e depende de novos equipamentos, planejamento e ampliação do efetivo.

A Bundeswehr conta atualmente com cerca de 180 mil soldados, e a meta é superar 200 mil integrantes com apoio das reservas nos próximos anos. Para Franke, os dois principais desafios são a possível redução da presença militar dos Estados Unidos na defesa europeia e a necessidade de recrutar mais pessoal.
A baixa prioridade dada à defesa por décadas refletia uma escolha política e cultural da Alemanha no pós-guerra. Segundo Franke, havia a percepção de que os Estados Unidos garantiam a segurança europeia e de que conflitos militares pertenciam ao passado. Esse quadro mudou com a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022.
A retirada de 5.000 militares estadunidenses não altera de forma imediata o equilíbrio militar, segundo a pesquisadora. A Alemanha ainda abriga entre 35 mil e 40 mil militares dos Estados Unidos, em bases que cumprem funções estratégicas além da defesa europeia, como apoio a missões no Africa Command e atendimento em hospital militar.
A maior preocupação de Franke está na decisão de não instalar novos mísseis de alcance intermediário na Alemanha. Para ela, esse tipo de capacidade ainda é insuficiente na Europa e sua ausência “enfraquece o apoio à dissuasão europeia”.
Franke avalia que a Europa tem condições de se defender sem os Estados Unidos no longo prazo, mas não de forma imediata. “A Europa é um continente rico, com 450 milhões de habitantes, capaz de se defender por si mesmo”, disse. O problema, segundo ela, é que o sistema de defesa europeu foi estruturado em torno da presença estadunidense.
Para a pesquisadora, uma adaptação exigiria mais recursos e coordenação entre os países europeus. Ela afirma que a possibilidade de uma aliança atlântica sem os Estados Unidos deve ser considerada como risco estratégico. “É preciso se preparar, pensar como se organizaria a segurança europeia sem os Estados Unidos”, concluiu.
!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/merz-completa-um-ano-de-governo-com-85-de-insatisfacao-e-reforco-militar-na-alemanha/

