O vídeo em que Michelle Bolsonaro expôs o racha com Flávio Bolsonaro interrompeu uma sequência de desgaste nas redes sociais, mas a reação favorável inicial deu lugar a uma nova onda de críticas. Levantamentos da Ativaweb DataLab mostram que a ex-primeira-dama ganhou fôlego digital ao sair da defensiva, mas passou a enfrentar uma nova fase da disputa dentro da própria base bolsonarista.
Michelle registrou crescimento próximo de 100 mil seguidores nos dias seguintes à publicação do vídeo. O movimento interrompeu um ciclo de mais de 20 dias de perdas e foi interpretado como sinal de mobilização de sua base de apoiadores.
A recuperação, porém, não se sustentou sem desgaste. Nos cinco dias seguintes, ainda de acordo com o levantamento da Ativaweb para a Veja, Michelle perdeu 10.121 seguidores e passou a enfrentar críticas e movimentos de desmobilização. O dado mais sensível para o entorno da ex-primeira-dama é o perfil de quem puxou a reação: 83% das críticas partiram de perfis masculinos, contra 17% de perfis femininos.
O vídeo inverteu a curva negativa de Michelle. No período analisado pela Ativaweb, entre 22 de junho e 1º de julho, a taxa de engajamento da ex-primeira-dama foi de 5,61%, contra 1,59% de Flávio Bolsonaro. Michelle ampliou seu engajamento em 22,80%, enquanto o senador teve retração de 48,53% no mesmo indicador.
Flávio, porém, manteve vantagem em audiência bruta. O senador tinha 10.722.924 seguidores, enquanto Michelle registrava 8.280.541. A diferença mostra a divisão apontada pela própria Ativaweb: Flávio preserva estrutura e alcance, mas Michelle ampliou influência no auge da crise.

A primeira reação ao vídeo já havia sido captada em levantamento anterior citado pela Folha. A publicação informou que os vídeos de Michelle passaram de 32 milhões de visualizações em 24 horas e fizeram a ex-primeira-dama ganhar 39.704 seguidores no primeiro dia após a repercussão. Naquele momento, cerca de 80% das manifestações eram favoráveis a ela, impulsionadas principalmente por mulheres, perfis cristãos, lideranças evangélicas e eleitores conservadores.
Com a ampliação do debate para fora da bolha inicial, o apoio caiu. A conversa passou a envolver influenciadores, perfis de humor, opositores, aliados de Flávio e integrantes da imprensa. A partir daí, Michelle passou a ser criticada por expor publicamente um conflito familiar, dividir a direita e dar munição aos adversários do senador.
O episódio reforça a centralidade de Michelle na disputa pela base feminina e evangélica do bolsonarismo. Mesmo com a perda recente de seguidores, a Ativaweb avalia que a ex-primeira-dama mantém uma comunidade digital altamente ativa. A crise, no entanto, deixou de ser apenas uma disputa familiar e passou a medir quem tem mais capacidade de mobilização dentro do eleitorado conservador.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mesmo-sob-ataque-michelle-cresceu-nas-redes-apos-video-contra-flavio-bolsonaro/

