O advogado-geral da União, Jorge Messias, comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que deixará o cargo após a histórica rejeição de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado. A derrota ocorreu na última quarta-feira (29), com 42 votos contrários e apenas 34 a favor. Messias, que até então ocupava a função de interlocutor do governo com o Congresso e o STF, afirmou a Lula que não seria mais possível continuar à frente da AGU, dada a difícil relação com os senadores e ministros do Supremo que atuaram contra sua nomeação. As informações são de Malu Gaspar.
De acordo com fontes próximas, Messias expressou a Lula que não teria condições de manter uma postura profissional diante dos integrantes do Congresso e do Supremo que trabalharam ativamente para barrar sua candidatura. Apesar da tentativa de Lula de convencê-lo a reconsiderar sua decisão durante o feriado, aliados do governo afirmam que Messias segue determinado a deixar a AGU.
Desde a manhã do dia seguinte à rejeição, rumores circulavam em Brasília sobre a possível substituição de Messias no Ministério da Justiça, cargo de Wellington César Lima e Silva, que até o momento não teve seu desempenho suficientemente destacado. No entanto, o ministro da AGU negou qualquer sondagem para assumir a pasta da Justiça e afirmou que o assunto nunca foi discutido com ele, nem pelo presidente nem por membros do Planalto.

A saída de Messias ocorre em um momento de forte tensão política. As principais mágoas do ministro se concentram no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e nos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, seu ex-colega de governo. Esses desentendimentos se aprofundaram desde a disputa pela vaga de Rosa Weber no STF, quando Dino foi favorecido em detrimento de Messias, que perdeu a preferência de Lula. Messias também não perdoa o envolvimento de Alcolumbre e Moraes em sua derrocada.
Além disso, a rejeição de sua indicação no Senado marca um episódio raro na história do Brasil, já que não havia sido registrada uma derrota como essa desde 1894. O episódio expõe as divisões internas do governo Lula e a atuação de figuras políticas, como Moraes, que trabalhou ativamente contra Messias devido ao impacto que sua nomeação poderia ter no julgamento de casos como o inquérito do Banco Master. A relação entre Moraes e Messias foi marcada por tensões, e o ministro do Supremo temia que Messias ampliasse seu poder no STF, especialmente com o apoio de André Mendonça, outro nome do governo Lula.
Em entrevista ao portal ICL, o presidente Lula revelou que orientou Messias a se declarar suspeito no julgamento do caso Master, a fim de evitar que o escândalo comprometesse sua carreira e a imagem do Supremo. Para Lula, o caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master poderia prejudicar gravemente a biografia de qualquer membro da Corte. Além disso, o presidente ressaltou que Moraes, ciente dessa situação, precisa dar uma explicação convincente à sociedade sobre o caso, sem tentar esconder a questão.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/messias-comunica-lula-que-deixara-a-agu-apos-derrota-no-stf/

