Entorno de Michelle vê oportunidade política após decisão de Moraes; entenda

Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impedir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai por 90 dias reabriu no PL a discussão sobre o papel de Michelle Bolsonaro na campanha presidencial.

Aliados da ex-primeira-dama avaliam que ela pode ganhar influência por manter acesso direto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores da campanha de Flávio defendem outra leitura: esperam que Michelle se engaje mais adiante e sustentam uma nova tentativa de reaproximação entre os dois.

O debate ganhou força porque o senador era tratado como o principal elo entre Bolsonaro e a pré-campanha antes da decisão judicial. Moraes entendeu que Flávio usou o direito de visita para obter uma carta que teria como finalidade a divulgação nas redes sociais.

Para o ministro, a medida poderia burlar a proibição imposta a Bolsonaro de usar plataformas digitais, direta ou indiretamente. O ministro também determinou que a defesa esclareça se Bolsonaro sabia que o texto seria publicado.

Moraes encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.  Até a ordem do STF, Flávio visitava o pai sempre que estava em Brasília, na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, no Solar de Brasília.

O ministro Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação

Além do vínculo familiar, o senador atua como advogado constituído do ex-presidente, o que lhe dava livre acesso às visitas; se o prazo de 90 dias permanecer, ele só poderá voltar a encontrá-lo em meados de outubro, depois do primeiro turno.

Aliados do senador avaliam que a interlocução política com Bolsonaro continuará por meio da equipe de defesa. Esse grupo admite, porém, que a comunicação passará a depender de mais intermediários e ficará mais sujeita a ruídos.

Esse ponto alimenta a avaliação de aliados de Michelle. Eles afirmam reservadamente que a ex-primeira-dama tende a ocupar espaço maior no entorno de Bolsonaro porque mora com o marido, mantém contato direto com ele, segue próxima da cúpula do PL, tem articulação política própria e não é alvo de investigação ou restrições judiciais.

No entorno de Flávio, a expectativa é que Michelle entre na campanha “na hora certa”, definida por um aliado como “no meio da campanha no primeiro turno”.

Integrantes do partido dizem que Bolsonaro já transmitiu ao filho as principais orientações sobre alianças estaduais e que os palanques estão praticamente definidos; a crise recente entre Michelle e Flávio levou a ex-primeira-dama a deixar a presidência do PL Mulher e afastou ainda mais a ex-primeira-dama da pré-campanha do enteado.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/michelle-bolsonaro-espacomoraes-visitas-flavio/