Miguel Reale Júnior declara voto em Lula no 2º turno

Miguel Reale Júnior usa terno cinza, gravata vermelha e óculos redondos, sentado em uma cadeira preta. Foto: Reprodução

O jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso e um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, declarou voto em Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Ele afirmou que a escolha busca evitar um “retorno à intranquilidade” que associa ao governo Jair Bolsonaro.

“É fundamental que Lula seja eleito nosso presidente porque teremos a garantia da manutenção da democracia, do respeito ao Estado de Direito, da não instalação de um Estado policialesco e da salvaguarda da nossa soberania”, disse Reale Júnior à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

O jurista reconheceu o desgaste do PT e do próprio Lula, além da existência de um sentimento de mudança entre eleitores. Na avaliação dele, esse sentimento não deve conduzir o país “para o precipício”. “Com Flávio é precipício”, afirmou, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

Reale Júnior também atacou a falta de clareza que vê nas propostas do adversário de Lula no segundo turno. “É uma pessoa que não se conhece, irrelevante como senador, irrelevante como político. Não sabemos quais são as suas ideias, nem quem lhe dá ideias”, declarou.

Críticas às propostas de Flávio Bolsonaro

As declarações ocorreram após Flávio Bolsonaro dizer que pretende “redemocratizar o país” e alterar a Constituição caso vença a eleição. Depois, ele citou propostas de emenda constitucional sobre redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, mudanças na reforma tributária e fim da reeleição presidencial.

Para Reale Júnior, a ideia de “redemocratizar” o país “não assusta, mas mostra ignorância” sobre o funcionamento das instituições. Ele classificou os exemplos apresentados pelo candidato como “pífios” e disse que eles não contribuiriam para o aperfeiçoamento da democracia.

O ex-ministro afirmou não se arrepender de ter participado do impeachment de Dilma em 2016. O pedido que levou ao afastamento da então presidente foi elaborado por ele, pelo jurista Hélio Bicudo e pela advogada Janaina Paschoal, hoje vereadora em São Paulo.

Reale Júnior também assinou o primeiro pedido de impeachment de Jair Bolsonaro apresentado após a CPI da Covid e participou da elaboração do pedido contra Fernando Collor. “Não é porque agora eu voto no Lula que estou arrependido de ter tirado a Dilma. Pelo contrário, é uma linha de coerência”, afirmou.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/miguel-reale-junior-declaravoto-lula-flavio-precipicio/