O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue seus passaportes e o proibiu de deixar o país. A Polícia Federal intimou o parlamentar nesta segunda-feira, quando ele saía de seu condomínio no Lago Sul, em Brasília.
Em vídeo nas redes sociais, Flávio afirmou que seguia para a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. O senador disse que entregará os documentos e contestará a medida: “Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”.
Flávio questionou a fundamentação atribuída à decisão de Moraes e negou que tenha planejado sair do Brasil. Segundo ele, a ordem considerou uma declaração de seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sobre uma eventual derrota eleitoral do senador.
Na sexta-feira passada, Eduardo declarou que defenderia a saída de Flávio do país caso o irmão não vencesse a eleição. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, disse, acrescentando que ele deveria contestar o resultado das urnas.
Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos no STF. Um deles, relatado por Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e empresas de pagamento vinculadas ao advogado Willer Tomaz, que também é investigado.
A investigação começou na Polícia Federal do Rio Grande do Sul e chegou ao Supremo após os investigadores encontrarem referências ao senador, que possui foro por prerrogativa de função. A PF apura a natureza da relação entre Flávio e o advogado e possíveis movimentações financeiras.
Os investigadores identificaram uma conta da empresa Alcazar Holdings, ligada a Willer, na qual Flávio aparecia como usuário com acesso privilegiado, identificado como “master”. A apuração também cita registros de viagens, encontros e relações comerciais entre os dois, além de operações de cerca de R$ 130 milhões em uma conta de empresas relacionadas ao advogado entre março e maio de 2025.
Na última sexta-feira, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer, quebras de sigilos bancário, fiscal e cambial e a suspensão de atividades de empresas ligadas a ele. A defesa do advogado nega que Flávio tivesse poder para movimentar recursos na conta da Alcazar e afirma que os dois mantêm apenas uma relação de amizade.
O segundo inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga a obtenção de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal pediu prazo adicional de 90 dias para concluir diligências financeiras e obter informações por cooperação internacional; Flávio nega irregularidades e afirma que os recursos tinham natureza privada.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/moraes-manda-flavio-entregar-passaportes-e-impoe-restricao-para-deixar-o-pais/

