A estratégia do PL após Moraes vetar visitas de Flávio Bolsonaro ao pai

Flávio Bolsonaro ao lado de Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias atingiu diretamente a pré-campanha presidencial do PL e abriu uma disputa interna sobre o tamanho do prejuízo político.

Aliados do senador avaliam que a restrição interfere na condução da campanha porque o ex-presidente, mesmo em prisão domiciliar, seguia como principal conselheiro do filho em negociações sobre alianças estaduais e estratégias eleitorais. Sem encontro direto, Flávio perde um canal de consulta justamente na fase de definição dos palanques.

O PL trabalha para concluir as articulações nos estados e oficializar a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto. A convenção nacional do partido está marcada para o dia 25, em São Paulo, e a defesa do senador deve recorrer ao STF para tentar derrubar a decisão de Moraes.

Na carta lida por Flávio no sábado (11), Jair Bolsonaro pediu que aliados “deixem de lado possíveis diferenças” e trabalhem em favor de “nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro”. O ex-presidente também se referiu ao senador como seu “porta-voz”.

Decisão do STF e reação da campanha

Moraes suspendeu as visitas nesta segunda-feira (13) ao entender que Flávio desrespeitou decisão anterior do STF ao ler, durante uma transmissão nas redes sociais, uma carta atribuída ao ex-presidente. A ordem anterior proibia Jair Bolsonaro de usar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”.

Com a medida, pai e filho não poderão se encontrar até 13 de outubro, poucos dias depois do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Moraes também entendeu que a leitura da carta pode configurar propaganda eleitoral antecipada e determinou o envio das informações ao Ministério Público Eleitoral.

Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Foto: Adriano Machado/Reuters

“A divulgação de vídeo em rede social e utilização de expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto pode configurar propaganda eleitoral antecipada em período vedado pela legislação, devendo ser apurada pelo Ministério Público eleitoral”, afirmou o ministro na decisão.

Coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que a medida prejudica a campanha e classificou a decisão como “mais uma arbitrariedade”. “É evidente que atrapalha, né? E me parece que termina impedindo que o maior líder da direita se comunique com o seu pré-candidato, que por acaso é seu filho. Além disso, há um vínculo familiar”, afirmou.

Outra ala do PL minimiza o impacto da restrição. Integrantes desse grupo dizem que os palanques estaduais já estavam praticamente fechados e que Flávio recebeu autonomia do pai para conduzir as negociações; a expectativa é que o senador reduza a permanência em Brasília, concentre o núcleo da campanha em São Paulo e aumente as viagens pelos estados.

A campanha atravessa uma sequência de desgastes. Vieram a público áudios e mensagens em que Flávio pede recursos ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar um filme em homenagem ao pai; depois, Michelle Bolsonaro divulgou vídeos sobre o rompimento com o enteado, afirmou ter sido “destratada” em discussões sobre o palanque do PL no Ceará e chegou a cogitar deixar o partido.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também teve mais de R$ 199 milhões em bens bloqueados em uma investigação da Polícia Federal sobre supostas indicações irregulares de emendas parlamentares. No entorno de Flávio, parte dos aliados via a participação indireta de Jair Bolsonaro como forma de tentar reduzir o efeito desses episódios.

Em transmissão ao vivo, Flávio acusou Moraes de tentar interferir nas eleições. “É obviamente algo completamente desproporcional, desarrazoado e claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições desse ano. O que o Alexandre Moraes faz agora é claramente deixar o meu pai incomunicável”, disse o senador.

A restrição deixa as visitas a Jair Bolsonaro limitadas aos advogados do ex-presidente, a Carlos Bolsonaro e a Jair Renan Bolsonaro, enquanto Michelle Bolsonaro mantém contato diário por morar com ele. Valdemar Costa Neto avalia que a decisão pode fortalecer Flávio junto ao eleitorado bolsonarista: “Isso só vai fazer o Flávio subir ainda mais nas pesquisas de intenção de voto”, afirmou.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/moraes-veta-visitas-flavio-bolsonaro-90-dias-pl-campanha/