O Ministério Público de São Paulo decidiu anexar a uma investigação já aberta sobre a concessão dos cemitérios municipais uma representação que pede apuração sobre a relação entre concessionárias do setor funerário e o Banco Master. O documento também questiona eventual omissão da fiscalização da Prefeitura de São Paulo na gestão Ricardo Nunes (MDB).
O caso ganhou repercussão depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de possível interferência do Banco Master na gestão dos serviços funerários paulistanos e cobrou explicações da administração municipal.
Segundo a Folha, as suspeitas envolvem a concessionária Cortel SP, que assumiu parte da administração dos cemitérios públicos após a privatização do serviço promovida pela Prefeitura de São Paulo em 2023. A SP Regula identificou que Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, integrou o conselho e o quadro societário da Cortel.
Outra concessionária citada é a Maya, que teria contraído empréstimos milionários com o Banco Master. A prefeitura apura se as empresas atuavam de forma integrada. As concessionárias negam essa hipótese.
No despacho assinado pelo promotor Silvio Antonio Marques, o Ministério Público afirma haver “semelhança” entre a representação apresentada por parlamentares do PSOL e o inquérito civil já em andamento sobre possíveis irregularidades na concessão dos cemitérios municipais.

A representação foi apresentada pela deputada federal Luciene Cavalcante, pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador Celso Giannazi. Segundo o promotor, há “indícios de possível vínculo” entre a Cortel e o Banco Master, incluindo relação familiar entre integrantes das empresas e uso de endereço eletrônico ligado à instituição financeira na assinatura de documentos da concessionária.
Além da frente no Ministério Público paulista, Luciene Cavalcante protocolou uma petição no STF pedindo ao ministro André Mendonça a inclusão de Ricardo Nunes no inquérito que investiga o Banco Master.
A peça sustenta que novos fatos indicariam “possível conexão” entre o banco, a concessionária Cortel SP e a Prefeitura de São Paulo, responsável pela concessão e fiscalização dos serviços funerários e cemiteriais da capital.
Na petição enviada ao Supremo, a deputada pede que a Procuradoria-Geral da República apure a atuação da prefeitura e de Ricardo Nunes “quanto à ciência dos fatos, às providências adotadas, à investigação interna mencionada publicamente e à fiscalização do contrato”.
À Folha, a gestão Nunes afirmou lamentar a “ação puramente ideológica” de Luciene, “sem qualquer indício ou prova, apenas com ilações infundadas para tentar ganhar alguma evidência”. Sobre o promotor, a prefeitura disse que a decisão “não passa de malabarismo para criar mais um factoide já comum à sua atuação no Ministério Público”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mp-investiga-possivel-omissao-da-gestao-nunes-ao-banco-master-em-concessao-de-cemiterios-de-sp/

