Multa milionária, visitas e paranoia: os bastidores caóticos das gravações de “Dark Horse”

Jim Caviezel e Carlos Bolsonaro durante as gravações de “Dark Horse”. Foto: reprodução

Os bastidores de “Dark Horse”, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), foram marcados por regras rígidas, temor de vazamentos e tensão no set de filmagem. Integrantes da equipe relataram que o contrato previa multa de R$ 1 milhão em caso de divulgação de informações sobre a produção, considerada incomum no mercado audiovisual brasileiro.

Segundo relatos feitos ao Estadão, era proibido tirar fotos nos locais de gravação. Figurantes eram “fortemente revistados” e não podiam entrar com celulares no set. O controle rígido também teria provocado confusões durante as filmagens em São Paulo.

A produção contou com a presença “discreta” de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Carlos Bolsonaro. De acordo com integrantes da equipe, os dois filhos do ex-presidente estiveram no set apenas uma vez, no dia em que foi gravada a cena em que Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro durante a campanha de 2018, é levado para a delegacia.

O ator estadunidense Jim Caviezel, responsável por interpretar Bolsonaro, também virou foco de tensão nos bastidores. Segundo relatos, ele quase desistiu do filme por medo de ser assassinado e passou a demonstrar comportamento descrito como “paranoico” durante as gravações.

Esse quadro teria se intensificado após a morte do extremista de extrema-direita Charlie Kirk, em setembro de 2025, em uma faculdade nos Estados Unidos. A partir daí, Caviezel não aceitava ficar distante de seus seguranças, que foram descritos por um participante da produção como “violentos” e “sem profissionalismo”.

Jim Caviezel como Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: reprodução

“Não eram de uma equipe de segurança comum, eram policiais aposentados”, afirmou um integrante da produção. Segundo os relatos, o clima ficou tenso em vários dias de filmagem. Em uma das situações, um figurante teria sido arrastado para fora do set por um segurança após ser flagrado com um celular no bolso.

Em outro episódio, um segurança que acompanhava Caviezel teria ameaçado com uma faca um integrante da equipe técnica por avaliar que ele representava risco ao ator estadunidense. As medidas de proteção também incluíam revistas frequentes e proibição de aparelhos telefônicos nos ambientes de gravação.

O GLOBO já havia relatado que Caviezel deixou o Brasil dias antes do fim das filmagens por preocupações com segurança. Algumas cenas precisaram ser concluídas com dublês e figurantes. A produção de “Dark Horse” é da Go Up Entertainment e teve patrocínio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, táticas de intimidação, coerção e outros crimes.

A equipe do ator também teria exigido cuidados extras após alertas internacionais feitos por Donald Trump sobre a Venezuela. Segundo um integrante do projeto, Caviezel chegou a pedir um plano de evacuação para deixar o Brasil “por terra, ar e mar” se fosse necessário. “Acho que ele pensou que a Venezuela era aqui perto”, disse a fonte.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/multa-milionaria-visitas-e-paranoia-os-bastidores-caoticos-das-gravacoes-de-dark-horse/