Na Copa, técnico do Egito denuncia silêncio sobre Gaza: “Vergonha para o mundo”

Hossam Hassan, técnico do Egito, com bandeira palestina

O técnico da seleção do Egito, Hossam Hassan, transformou a entrevista coletiva antes do duelo contra a Argentina, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, em um apelo humanitário em favor da população palestina da Faixa de Gaza.

Questionado sobre o fato de ter exibido uma bandeira palestina após a histórica classificação sobre a Austrália — a primeira vitória egípcia em um mata-mata de Mundial —, o treinador respondeu com um discurso em que criticou o silêncio da comunidade internacional diante do genocídio.

“Se alguém não sente o sofrimento do povo palestino, essa pessoa não é humana. Não importa se é europeu, americano, árabe ou de qualquer outra parte do mundo. Todo ser humano deveria sentir a dor do que está acontecendo”, afirmou.

Hassan disse que a reação global à tragédia expõe um duplo padrão moral. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 73 mil pessoas morreram assassinadas por Israel desde o início do conflito em outubro de 2023.

“Quando um animal sofre, as entidades de proteção se mobilizam imediatamente. Mas nós permanecemos sentados em nossas casas, vivendo com conforto, enquanto o povo palestino está ao relento, sem água, sem comida e sem abrigo”, declarou.

O treinador foi ainda mais duro ao comparar a resposta internacional aos crimes contra civis.

“Quando um cachorro é maltratado na rua, exigem que o responsável seja julgado. Então o que dizer daqueles que matam inocentes em Gaza com mísseis todos os dias? Exigimos vida e justiça para o povo palestino.”

Para Hassan, a situação representa um fracasso moral da comunidade internacional.

“É uma vergonha para o mundo inteiro e para aqueles que tomam decisões permitir que seres humanos vivam nessas condições. Milhares de pessoas morrem em um único bombardeio e não vemos uma reação compatível com a dimensão dessa tragédia.”

O treinador ainda fez um apelo direto à FIFA para que os princípios que a entidade promove dentro de campo também sejam aplicados fora dele.

“A FIFA fala em respeito e em fair play. Nós também queremos respeito pela vida humana. Queremos jogo limpo para que aqueles que não têm nada possam viver. Por favor, deixem o povo palestino viver”, disse.

A declaração foi recebida com aplausos de parte dos jornalistas presentes na sala de imprensa do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.

Depois de abordar a situação em Gaza, Hassan voltou o foco para o confronto contra a Argentina. Embora reconheça a força da atual campeã do mundo e de Lionel Messi, ele rejeitou o papel de azarão.

“Sabemos que será um jogo muito difícil e que muitos consideram a Argentina favorita. Mas vamos entrar em campo com ambição. Não somos uma seleção pequena. Representamos uma grande nação, uma civilização com milhares de anos de história. Meus sonhos e minhas ambições não têm limites”, afirmou.

 

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/na-copa-tecnico-do-egito-denuncia-silencio-sobre-gaza-vergonha-para-o-mundo/