Na Globo, Lula defende asfixiar facções e libertar territórios do crime organizado

O presidente Lula (PT), durante a sabatina da TV Globo, apresentada por Renata Lo Prete. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (15), em sabatina na TV Globo, o estrangulamento financeiro das facções e a recuperação de territórios dominados pelo crime organizado. Ao apresentar suas propostas para a segurança pública, afirmou que pretende ampliar a atuação federal para proteger moradores submetidos ao controle de organizações criminosas.

Lula citou a interferência desses grupos na compra de gás e até no recebimento do Bolsa Família para explicar como o domínio territorial afeta a rotina da população. “O que nós queremos é asfixiar o crime organizado e libertar os territórios para que o povo não seja vítima de dono de rua”, declarou. O presidente ressaltou que a proposta alcança comunidades de todo o país: “Nós queremos libertar os territórios dos bandidos nesse país, não apenas no Rio, no Brasil inteiro”.

A resposta veio após Lo Prete perguntar como o governo pretende enfrentar a violência vivida pelos cidadãos, como roubos de celulares e assaltos à mão armada. Lula afirmou que, aprovada a PEC da Segurança Pública, criará o Ministério da Segurança Pública, com orçamento definido e atribuições para a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal. “É por isso que eu quero participar da segurança pública com muita força”, disse.

Ao justificar a ampliação do papel da União, o presidente criticou os resultados dos governos estaduais no enfrentamento ao crime organizado. “Para o trabalhador, para a comunidade, para o território, o que nós queremos é tranquilidade, segurança e proteção. Para os bandidos, a gente vai querer prisão”, afirmou. Entre as medidas, citou brevemente o financiamento federal de 138 presídios de segurança máxima para impedir que lideranças continuem comandando crimes de dentro das cadeias.

Questionado sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, Lula reconheceu o terror imposto pelas facções às comunidades, mas rejeitou equipará-las ao tipo de terrorismo mencionado na discussão com os Estados Unidos. Na avaliação do presidente, esses grupos têm como objetivo obter dinheiro. Ele afirmou que as facções “são terroristas para a comunidade brasileira e para os bairros brasileiros e para as cidades”, antes de ressalvar que não se trata do que chamou de “terrorismo de Estado”.

Como alternativa, Lula defendeu a cooperação com Donald Trump no combate ao crime organizado. Disse que entregou uma proposta por escrito ao presidente estadunidense para enfrentar o narcotráfico com base na experiência da Polícia Federal brasileira. Também citou a aprovação da Lei Antifacção, que, segundo ele, aumenta as penas dos criminosos, e apresentou a PEC como instrumento para definir a participação federal na segurança pública.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/na-globo-lula-defende-asfixiar-faccoes-e-libertar-territorios-do-crime-organizado/