A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, aprofundou a crise no entorno do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e lançou novos holofotes sobre suas conexões políticas — entre elas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Vorcaro foi preso em São Paulo. Investigadores apuram suspeitas de que ele teria feito ameaças a terceiros por meio de celulares hackeados, numa tentativa de interferir nas apurações. A ofensiva também atingiu seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel, alvo de mandado de prisão preventiva. A defesa informou que ele deve se apresentar às autoridades.
Outros dois mandados de prisão preventiva foram cumpridos contra Luiz Phillipi Mourão, empresário do ramo de locação de veículos, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. Ao todo, a PF executa 15 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão ainda dois ex-servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves e Belline Santana.
Segundo a investigação, o bloqueio e sequestro de bens nesta etapa supera R$ 22 bilhões.
O núcleo financeiro sob investigação
A Operação Compliance Zero apura a criação de carteiras de crédito inexistentes por instituições financeiras. De acordo com a PF, esses títulos eram vendidos a outros bancos e depois substituídos por ativos sem lastro, mecanismo que teria servido para ocultar prejuízos e sustentar movimentações bilionárias.
As apurações tiveram início em 2024, após provocação do Ministério Público Federal. A atual fase indica que os investigadores avançaram sobre a estrutura de comando e possíveis tentativas de obstrução.

Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã de Daniel Vorcaro, é apontado como um dos principais operadores do grupo empresarial. Ele dirige a Moriah Asset, fundo de private equity criado em 2023, e é descrito nos bastidores como um dos homens de confiança do dono do Banco Master.
A conexão política
A escalada da operação resgata episódios que envolvem o deputado Nikolas Ferreira. Em 2022, durante o segundo turno da eleição presidencial, o parlamentar utilizou um jatinho vinculado a Daniel Vorcaro para participar de agendas de campanha do então presidente Jair Bolsonaro.
A aeronave percorreu capitais do Nordeste e cidades do interior de Minas Gerais entre 20 e 28 de outubro daquele ano. O segundo turno ocorreu em 30 de outubro, na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva.
O avião pertencia à Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo que tinha Vorcaro entre os sócios por meio de fundo de investimento. A companhia também aparece como proprietária da residência de Vorcaro em Brasília, imóvel que antes passou por outra empresa ligada ao empresário.

À época, Nikolas afirmou ter sido convidado para integrar a caravana “Juventude pelo Brasil” e declarou que desconhecia quem era o dono da aeronave. Disse ainda que sua participação no voo não estabelecia vínculo pessoal ou comercial com o empresário.
Na terça-feira (3), o deputado publicou mensagem nas redes sociais afirmando que já sabe quem teria vazado a informação sobre o uso do jatinho e sugeriu tentativa de desgaste político. A declaração ocorreu após postagens do blogueiro Allan dos Santos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nikolas-entra-em-panico-com-operacao-da-pf-contra-vorcaro-e-cunhado-pastor/

