O desespero de Flávio Bolsonaro e aliados na reunião de emergência sobre caso Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

A revelação de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro o financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou uma crise interna na cúpula do PL. Segundo relatos de senadores da oposição, integrantes da campanha e aliados próximos, a publicação da reportagem do Intercept Brasil gerou um clima de “barata voa” no entorno do pré-candidato ao Planalto.

Após a divulgação do caso, grupos de WhatsApp de parlamentares bolsonaristas ficaram em silêncio e uma reunião de emergência foi convocada no QG da campanha, em uma casa no Lago Sul, em Brasília. Segundo o Globo, o encontro durou cerca de três horas e meia e reuniu Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, o senador Rogério Marinho e integrantes dos núcleos jurídico, político e de comunicação.

Flávio adiou para esta quinta-feira (14) a viagem que faria ao Rio de Janeiro e permaneceu em Brasília para acompanhar os desdobramentos da crise. No início da reunião, afirmou aos presentes que havia “risco zero” de novos vazamentos e sustentou que aquele teria sido o único contato com Vorcaro relacionado ao filme.

A reportagem do Intercept cita mensagens, comprovantes bancários e cronogramas de pagamento que indicariam uma negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, ao menos US$ 10,6 milhões, ou R$ 61 milhões, teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025.

O impacto foi imediato porque atingiu uma das prioridades da pré-campanha de Flávio: afastar o bolsonarismo do escândalo envolvendo o Banco Master e consolidar o senador como nome competitivo da direita contra Lula em 2026. Interlocutores descreveram o ambiente no Lago Sul como “péssimo”, “muito tenso” e “completamente desorganizado”.

Horas antes da publicação, Flávio havia dito ao Intercept que os diálogos eram uma “mentira”. Quando as mensagens começaram a circular, aliados avaliaram que a negativa inicial havia “pegado muito mal”. A partir daí, parte da campanha defendeu confronto direto com o Intercept, enquanto outro grupo considerou insustentável negar as tratativas.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, responsável pela área jurídica, apresentou riscos jurídicos e políticos. Ao fim, prevaleceu a linha sugerida por Rogério Marinho: admitir a busca de patrocínio privado para o filme, mas sustentar que não houve crime nem uso de recursos públicos.

Na nota divulgada após a reunião, Flávio disse ter buscado “patrocínio privado para um filme privado” sobre o pai. Também afirmou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando “não existiam acusações nem suspeitas públicas” contra o banqueiro.

Flávio negou ter oferecido contrapartidas. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, escreveu.

Mesmo após a nota, o clima seguiu tenso entre aliados. Em grupos bolsonaristas, surgiram avaliações pessimistas sobre o impacto eleitoral.

Em uma conversa obtida pelo Globo, Ricardo Salles, que sustenta uma briga pública com Eduardo Bolsonaro, sugeriu substituir Flávio por Michelle Bolsonaro caso o senador “perca tração”. Um participante respondeu que, nessa hipótese, “preferia que Lula ganhasse”. No fim da noite, um senador resumiu o ambiente: “Quer saber? Tô puuuuto”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-desespero-de-flavio-bolsonaro-e-aliados-na-reuniao-de-emergencia-sobre-caso-vorcaro/