A crise envolvendo o banco controlado por Edir Macedo começou a provocar efeitos diretos nas articulações políticas da direita para a eleição presidencial de 2026.
Enquanto tenta negociar um socorro financeiro para o Digimais e evitar o agravamento das suspeitas sobre a instituição, o grupo ligado à Igreja Universal vê crescer a dificuldade de manter influência nas conversas nacionais do campo conservador.
Nos bastidores do Republicanos, dirigentes passaram a estimular especulações sobre uma eventual candidatura presidencial do senador Cleitinho Azevedo. Embora aliados considerem improvável que ele dispute o Palácio do Planalto, o movimento expõe a tentativa do partido de continuar relevante em meio ao desgaste provocado pela situação financeira do Digimais.
O cenário ficou ainda mais delicado após o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro aumentar a resistência política a operações de salvamento bancário no país.
Hoje, qualquer discussão sobre aportes bilionários do Fundo Garantidor de Créditos passou a carregar forte desgaste público — exatamente no momento em que o Digimais negocia uma possível venda ao BTG Pactual.
A operação depende de um leilão e também de mecanismos de suporte financeiro envolvendo o FGC. Nos bastidores do mercado, circulou a informação de que o pacote de socorro poderia alcançar cifras bilionárias.
Ao mesmo tempo, integrantes da equipe econômica do governo Lula passaram a sinalizar desconforto com novos resgates bancários. Em entrevista recente ao programa Roda Viva, o ministro interino da Fazenda Dario Durigan indicou que o governo não demonstrava disposição para assumir o custo político de operações controversas após a crise do Banco Master.
Como o Digimais escondeu o rombo
O desgaste político ocorre paralelamente às revelações financeiras envolvendo o banco de Edir Macedo.
Documentos de auditoria obtidos pelo Estadão apontam que o Digimais usou fundos de investimento para retirar créditos podres de seus balanços e evitar o reconhecimento de prejuízos milionários ligados à inadimplência em financiamentos de veículos.
Segundo a apuração, a manobra permitiu ao banco declarar lucro líquido de R$ 31 milhões em 2025, embora ao menos R$ 480 milhões em créditos vencidos tenham deixado de aparecer diretamente nas demonstrações financeiras da instituição.
Os créditos problemáticos foram transferidos para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), estruturas usadas para abrigar dívidas consideradas de difícil recuperação.
Um dos principais veículos utilizados foi o FIDC Tabor, que possui participação do próprio Digimais. Em abril de 2026, o fundo acumulava R$ 960 milhões em carteiras de crédito, dos quais R$ 575 milhões estavam inadimplentes — quase 60% do total.

Especialistas afirmam que esse nível de inadimplência é considerado crítico no mercado financeiro.
O ponto que mais chamou atenção dos auditores foi o fato de o próprio banco aparecer como investidor de alguns dos fundos que receberam os créditos podres.
Na prática, o Digimais transferia as dívidas problemáticas para estruturas financeiras das quais ele mesmo participava — um modelo conhecido informalmente no mercado como operação “Zé com Zé”.
Com isso, os ativos saíam oficialmente do balanço do banco, reduzindo artificialmente o tamanho do rombo apresentado ao mercado.
O foco em carros velhos e clientes de risco
O principal negócio do Digimais sempre foi o financiamento de veículos usados.
Segundo lojistas ouvidos pelo Estadão, o banco se especializou em aprovar financiamentos de carros antigos e clientes já endividados — operações consideradas mais arriscadas pelo sistema financeiro tradicional.
Em dezembro de 2025, o Digimais cobrava juros equivalentes a 41,07% ao ano nesse segmento, uma das maiores taxas do país.
A deterioração da carteira se refletiu rapidamente nos números do banco. Em 2022, o Digimais registrou prejuízo de aproximadamente R$ 740 milhões.
Nos últimos meses, a situação piorou após novas suspeitas de irregularidades.
Em março, a Revista piauí revelou um suposto esquema semelhante ao investigado no Banco Master. Uma ação em tramitação na 13ª Vara de São Paulo acusa o Digimais de vender R$ 650 milhões em carteiras de crédito falsas ao fundo EXP1.
Agora, as revelações sobre os fundos com índices extremos de inadimplência ampliaram a pressão sobre Edir Macedo e colocaram o futuro político e financeiro do grupo sob risco simultâneo.
!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-impacto-na-eleicao-do-rombo-do-banco-de-edir-macedo-e-a-manobra-para-salva-lo/

