O medo e a rotina de Daniel Vorcaro na prisão após PF rejeitar delação premiada

Daniel Vorcaro na prisão – Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tem confidenciado a interlocutores o temor de perder o direito à cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A condição havia sido concedida para que ele tivesse mais tempo de conversa com seus advogados durante as tratativas de uma possível delação premiada.

Segundo o Globo, o cenário mudou na quinta-feira (11), quando Vorcaro sofreu um revés duplo. A Polícia Federal rejeitou novamente a proposta de colaboração apresentada pela defesa e pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o executivo deixe a carceragem da superintendência. A decisão pode levá-lo de volta à Penitenciária Federal de Brasília.

Mendonça ainda não decidiu o destino do banqueiro. A defesa espera uma definição ainda nesta sexta-feira (12), depois que o ministro ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o pedido da PF. A nova rejeição enfraquece a estratégia de Vorcaro, que apostava na delação como forma de tentar reduzir riscos no processo criminal.

Na Superintendência da PF, Vorcaro tem alternado momentos de leitura, exercícios físicos e reuniões com advogados com tensão, angústia e solidão, segundo pessoas que o visitaram. Sem televisão na cela, ele passa boa parte do tempo lendo. Entre os livros escolhidos estão biografias e obras sobre crises no mercado financeiro, tema ligado à trajetória do Banco Master. A Bíblia também permanece próxima.

Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Foto: reprodução

A rotina atual é considerada por ele menos dura do que a vivida em outros momentos da prisão. Interlocutores afirmam que Vorcaro reconhece que a cela de Estado-Maior oferece melhores condições do que a cela de passagem da própria Superintendência, menor e com acesso restrito aos advogados por até 30 minutos. Também é vista como mais favorável do que a permanência no Presídio Federal de Brasília, onde ele passou dias em silêncio.

Desde que conseguiu a condição especial, Vorcaro vinha usando o período entre 9h e 17h para reuniões com criminalistas e advogados especializados em direito empresarial e mercado de capitais. Em um escritório com mesa e cadeiras próximo à cela, ele “conduz” encontros para tratar das ações judiciais relacionadas ao colapso do Banco Master e à Operação Compliance Zero.

Além de rascunhar anexos da delação, com fatos e nomes, o banqueiro vinha indicando a localização de documentos que, segundo pessoas próximas, poderiam sustentar sua versão sobre os fundos do Master. A estratégia era tentar demonstrar que as carteiras não eram compostas apenas por papéis sem valor.

A defesa também trabalha com a ideia de recuperar parte do prejuízo ligado à liquidação do Banco Master. O rombo estimado no suposto esquema de fraudes financeiras chega a R$ 60 bilhões. Na avaliação de Vorcaro, pagar parte da dívida poderia ajudá-lo na ação civil e ter reflexos no processo criminal.

A interlocutores, ele tem dito que busca reduzir danos de imagem e “zerem o seu CNPJ”. A expectativa da defesa era que a colaboração premiada pudesse abrir caminho para um tratamento mais favorável no STF, incluindo eventual pedido de relaxamento da prisão.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-medo-e-a-rotina-de-daniel-vorcaro-na-prisao-apos-pf-rejeitar-delacao-premiada/