Pesquisadores afirmam que o Sul do Brasil concentra as condições atmosféricas mais favoráveis à formação de tornados. O fenômeno decorre da interação entre o transporte de umidade vindo da Amazônia, o avanço de massas de ar frio oriundas da Argentina e o contraste térmico causado pelo encontro dessas correntes. Essa combinação intensifica o chamado cisalhamento vertical do vento — diferença na velocidade e direção das correntes de ar em diferentes altitudes —, que pode dar origem a tempestades giratórias e, consequentemente, aos tornados.
“Nós temos uma combinação de fatores. A cerca de 1.500 metros de altura, a gente tem esse transporte de umidade, desde a Amazônia até o Sul do Brasil, isso recebe o nome também de rios atmosféricos. É como se nós tivéssemos um empoçamento de umidade”, explicou Ernani Lima, especialista em tornados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo Lima, o processo se agrava quando massas de ar polares cruzam os Andes e avançam pelo território argentino em direção ao Brasil. “Somado a isso, você tem a incursão pela Argentina e cruzando os Andes de massas de ar polares, que traz um ar mais frio e seco. Esse contraste de massas de ar gera um fenômeno que a gente chama de cisalhamento vertical do vento, ou seja, é a intensificação do vento com a altura. Essa é uma condição que favorece a formação de tempestades rotativas”, completou.
Para o meteorologista Francisco Eliseu, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), “o Sul funciona como um corredor atmosférico. É ali que a atmosfera entra em choque de maneira mais intensa”. Ele destacou que “quando há calor, umidade e vento em diferentes direções e velocidades, o ar começa a girar — e esse giro pode se transformar num tornado”.


Além do contraste de massas de ar, o relevo da região contribui para o surgimento de correntes ascendentes, especialmente em planícies e áreas próximas à Serra Geral. Essa característica favorece a instabilidade e intensifica a formação de tempestades. O fenômeno ocorre com mais frequência na primavera e no verão, quando o calor aumenta e o choque térmico entre massas de ar quente e frio se torna mais acentuado.
Em 2024, Santa Catarina registrou mais de dez ocorrências confirmadas de tornados em menos de quatro meses, o maior número do país no período, de acordo com a Epagri/Ciram. No mesmo ano, cidades do Rio Grande do Sul, como Cruz Alta, Encantado e São Leopoldo, também foram atingidas por ventos superiores a 150 km/h, reforçando a vulnerabilidade da região a fenômenos extremos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-motivo-que-faz-o-sul-do-brasil-ser-a-regiao-com-maior-risco-de-tornados-no-pais/

