O promotor, o pesquisador e a arapuca fascista. Por Moisés Mendes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Patrick B. Ruddy/Casa Branca

Uma síntese da opinião de Lincoln Gakiya, promotor de São Paulo, que há 20 anos combate o crime organizado, sobre a decisão de Trump de caçar ‘terroristas’ no Brasil:

Vai dificultar a troca de informações que já existe hoje, porque o assunto passa a ser da defesa nacional americana e será tratado como questão confidencial pelo FBI e a CIA. Gakiya não considera PCC e Comando Vermelho organizações terroristas.

E essa é a opinião de Leandro Piquet, professor da USP, coordenador da Escola de Segurança Multidimensional:

Poderá gerar fluxo positivo de informações dos Estados Unidos com o Brasil. Não podemos fechar a porta para os americanos, e sim explorar oportunidades.

Ilustrativa
Foto: Reprodução

A diferença básica é esta. O promotor que luta contra bandidos e por eles é ameaçado vê a coisa com desconfiança, em seu contexto político. O pesquisador foca sua abordagem na questão ‘técnica’. Como se Trump e os irmãos Bolsonaro fossem pessoas com boas intenções.

Está ficando cansativo ouvir argumentos ‘técnicos’ para uma decisão que é na essência uma arapuca política com a marca do fascismo.

Não há abordagens técnicas que possam se sobrepor à questão maior da soberania e da democracia. Debater abordagens pretensamente técnicas é entrar na pauta da Casa Branca e dos filhos de Bolsonaro.

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-promotor-o-pesquisador-e-a-arapuca-fascista-por-moises-mendes/