ONG do filme de Bolsonaro emitia notas para si mesma em contrato milionário com Prefeitura de SP

Ricardo Nunes e Flávio Bolsonaro

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) revelou que a ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, emitia notas fiscais para si própria dentro de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi públicos na periferia da capital.

Segundo Bonduki, uma das hipóteses investigadas é que as movimentações entre contas da própria organização tenham sido usadas para criar camadas intermediárias de circulação de dinheiro antes da chegada ao destinatário final dos recursos.

“A ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro emitiu nota para si própria para justificar gastos no contrato com a Prefeitura de São Paulo. Esse é o nível do descalabro: milhões de reais para uma instituição dizer que está prestando serviços para ela mesma”, afirmou no X.

O parlamentar também declarou que os contratos desse tipo exigem prestação de contas detalhada ao poder público. “Nos termos de parceria, os extratos da conta vinculada ao projeto precisam ser enviados à Prefeitura e o dinheiro, em tese, só pode ser usado para a finalidade específica prevista no convênio”, disse.

Para Bonduki, o mecanismo pode ter servido para ocultar a real destinação de parte dos recursos públicos. “Se alguém quisesse repassar recursos para um destinatário que não gostaria que aparecesse diretamente na prestação de contas enviada à Prefeitura, uma possibilidade seria fazer o dinheiro circular primeiro por outras contas ou empresas ligadas à própria organização”, afirmou.

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito no fim de janeiro para investigar suspeitas de irregularidades no contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da gestão Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pela instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de internet gratuita por 12 meses.

O inquérito corre sob sigilo e foi aberto pelo promotor Ricardo de Barros Leonel, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, após representação apresentada por Nabil Bonduki. Segundo o vereador, há indícios de irregularidades tanto no chamamento público quanto na execução contratual.

O Instituto Conhecer Brasil pertence à empresária Karina Ferreira Gama, que também aparece como sócia única da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, em São Paulo.

O caso ganhou repercussão nacional após reportagens revelarem que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao menos R$ 61 milhões para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, em negociação feita diretamente com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As investigações agora também avançam sobre contratos públicos ligados ao entorno da produção do filme.

Bonduki afirmou que encaminhou a documentação ao Ministério Público ainda no ano passado. “É justamente esse tipo de movimentação que precisa ser investigado com profundidade”, declarou o vereador.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ong-do-filme-de-bolsonaro-emitia-notas-para-si-mesma-em-contrato-milionario-com-prefeitura-de-sp/