ONG de filme sobre Bolsonaro é acusada de calote

Karina Ferreira da Gama em imagem publicada em perfil de rede social.. Foto: Reprodução.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada a Karina Ferreira Gama, representante da entidade e sócia da Go Up Entertainment, é acusado pela Ultra IP de dar um calote de R$ 5,5 milhões em contrato para instalar pontos de internet previstos em acordo com a Prefeitura de São Paulo. Com informações de Metrópoles.

O contrato municipal, de R$ 108 milhões, previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuitos em bairros da periferia da capital paulista. A Polícia Civil deflagrou na segunda-feira (1º/6) a Operação Wi-fi para apurar possível fraude em licitação e desvio de recursos públicos no caso.

Segundo a investigação do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), há suspeita de que parte dos recursos pagos pela Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação (SMTI) tenha sido desviada para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O longa é produzido pela Go Up Entertainment, empresa da qual Karina é sócia.

O ICB havia se comprometido a repassar R$ 30,7 milhões à Ultra IP, subcontratada para executar a instalação dos equipamentos de internet. O contrato entre a ONG e a empresa foi firmado em junho de 2024 e rompido em setembro de 2025, em meio a uma troca de acusações entre as partes.

Rompimento de contrato teve disputa por pontos de internet

Print de conversa de Karina Ferreira Gama
Captura de tela de conversa atribuída a Karina Ferreira Gama em aplicativo de mensagens.. Foto: Reprodução.

A acusação de calote foi apresentada pela Ultra IP em uma ação movida contra o ICB após a rescisão unilateral. A ONG alegou que a empresa estaria desligando pontos de internet de forma intencional, como retaliação à falta de pagamento.

Em uma conversa de WhatsApp citada no caso, Karina Ferreira Gama escreveu a William Silva Ferreira, sócio da Ultra IP: “William, você ligou para todos os provedores e pediu para todos desligarem os links. Você pegou o pior caminho”. Depois da mensagem, segundo o relato, ele foi removido do grupo.

A Ultra IP afirma que as partes já “vinham se estranhando” desde que o ICB reduziu a quantidade de pontos de internet previstos no contrato de 5.000 para 2.297. A justificativa da ONG, segundo a empresa, foi a contratação de outra prestadora, a Favela Conectada, que receberia R$ 12 milhões pelo restante do serviço.

A subcontratada sustenta que, naquele momento, já havia 3.200 pontos de internet em funcionamento. A empresa diz que o ICB reteve R$ 904 mil referentes a notas fiscais emitidas e deixou de pagar R$ 4,5 milhões ligados à diferença pela quantidade de pontos anteriormente estabelecida.

A Ultra IP também acusa a ONG de tentar elevar o valor declarado de cada ponto de internet de R$ 712 para R$ 825. Segundo a empresa, a mudança teria como objetivo “justificar a contratação da empresa Favela Conectada e o repasse de 12 milhões a ela feito”.

A advogada Stella Orandeli, que representa a Ultra IP, afirmou na ação: “Com efeito, as flagrantes contradições existentes entre a notificação e os distratos evidenciam a má-fé do requerido e a inexistência de fundamento para as alegações de suposto débito da requerente e manobra abusiva para não pagar seu crédito”.

Polícia apura valores e prestação de contas do contrato

A investigação aponta que o ICB foi a única entidade a participar da licitação para obter o contrato com a Prefeitura de São Paulo. A apuração também questiona os valores cobrados pela manutenção dos pontos de wi-fi instalados.

Cada ponto custaria R$ 1.800 por mês aos cofres públicos, valor superior ao dobro do previsto com a Ultra IP e quase seis vezes maior que o serviço semelhante oferecido pela Prodam, empresa de tecnologia da própria prefeitura, que cobrava R$ 306 por ponto.

Outra frente do inquérito apura pagamento antecipado por serviços que não teriam sido prestados, em valor total de R$ 26 milhões. A investigação também aponta possível uso de notas fiscais irregulares para justificar R$ 4,7 milhões em despesas na prestação de contas.

O ICB, Karina Ferreira Gama, a Ultra IP e outras empresas subcontratadas foram alvos de mandados de busca na Operação Wi-fi. Na segunda-feira, a entidade negou irregularidades.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ong-produtora-filme-bolsonaro-calote-55-milhoes/