PCC: operação prende vereador e mira Transunião em SP

O vereador Senival Moura. Foto: Reprodução

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (25) a Operação Última Parada, que mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC no transporte público da capital paulista e prendeu o vereador Senival Moura (PT). A ação cumpre cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.

Além de Senival, os agentes prenderam Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, apontado como diretor informal da Transunião, e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”, motorista e homem de confiança do vereador. Outros alvos de prisão são Lourival Monário, o “Orelha”, atual presidente da empresa, e Leonel Moreira Martins, o “Cabeça Branca”, supervisor operacional.

Os investigadores acusam os alvos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194.457.851,90 em contas ligadas aos investigados, além de 117 veículos, 3 embarcações e 21 imóveis.

A operação afastou a diretoria da Transunião e comunicou a Prefeitura de São Paulo para adoção de medidas administrativas. Os mandados atingem endereços da capital paulista, da região metropolitana e de Extrema, em Minas Gerais; a ação reúne o Deic, da Polícia Civil, e o Gaeco, do Ministério Público.

Ônibus da Transunião. Foto: Abraão Cruz/TV Globo
Ônibus da Transunião. Foto: Abraão Cruz/TV Globo

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans afirmaram, em nota, que “a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população”. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que acompanha os desdobramentos e que a gestão tomará medidas sobre a empresa quando receber notificação dos órgãos competentes.

Segundo dados do SPUrbanuss, sindicato das empresas de ônibus da capital, a Transunião opera 51 linhas e transporta 389 mil passageiros por dia, principalmente na Zona Leste. Como o transporte de passageiros é serviço essencial, o município terá de manter a frota em circulação, com intervenção direta na empresa ou repasse das linhas para outras viações, conforme a decisão judicial.

O inquérito começou a partir da investigação do assassinato de Adauto Soares Jorge, antigo presidente da Transunião, executado em 2020. Documentos manuscritos chamados de “salves” do PCC indicaram, segundo o MP, que Adauto e Senival, apontado como verdadeiro controlador da empresa, teriam sido condenados à morte por supostos desvios de valores da facção.

“A facção teria descoberto, então, que Adauto desviava dinheiro da empresa para subsidiar uma espécie de ‘caixa dois’ para as eleições de 2020, privilegiando diretamente Senival em sua campanha à reeleição como vereador de São Paulo”, diz trecho da manifestação do Ministério Público.

As investigações apontam que a Transunião mantinha um núcleo paralelo responsável por decisões operacionais e por autorizar transferências de grandes valores a criminosos ligados ao PCC. O MP-SP e a Polícia Civil também investigam uma mudança societária em que o capital social da companhia saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação de origem; em 2025, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/operacao-pcc-prende-senival-moura-transuniao-sp/