Os ratos abandonam o navio: a federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil deve ficar de fora da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em 2026. Dirigentes das duas legendas avaliam que a melhor saída é manter neutralidade e permitir que cada diretório estadual escolha o candidato que apoiará.
A decisão é resultado de uma combinação de fatores, segundo o G1: o desgaste na relação entre Flávio Bolsonaro e lideranças da federação, além da pressão de dirigentes estaduais, especialmente do Nordeste, que temem prejuízos eleitorais caso as siglas formalizem apoio ao senador em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte influência.
Um dos principais focos de insatisfação no PP surgiu após a operação da Polícia Federal envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, que também atingiu o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira. Integrantes do partido afirmam que o dirigente esperava uma manifestação pública de apoio de Flávio Bolsonaro, o que não aconteceu. Antes desse desgaste, chegou a ser discutida a possibilidade de Ciro integrar uma eventual chapa presidencial como candidato a vice.
Outro episódio que ampliou o distanciamento ocorreu nesta semana, após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), aliado de Flávio e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Dirigentes do União Brasil também esperavam um posicionamento público do senador em defesa de Canella, mas isso igualmente não ocorreu.
Canella foi preso durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, depois que um fuzil foi encontrado no porta-malas de seu veículo. À Polícia Federal, ele afirmou que a arma pertencia a um policial militar responsável por sua segurança, mas, segundo a investigação, não apresentou provas para sustentar essa versão.
Apesar da tendência de neutralidade nacional, a federação deve permitir acordos regionais. Em São Paulo, por exemplo, o PP pretende apoiar Flávio Bolsonaro para fortalecer a candidatura do secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado.
Dirigentes do partido avaliam que, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve concentrar esforços na candidatura de André do Prado (PL) ao Senado, Flávio Bolsonaro poderá atuar para impulsionar Derrite, ampliando a presença do PP na disputa pelas duas vagas que estarão em jogo no estado.
Nesta sexta (10), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, até o valor de R$ 119,2 milhões, atendendo a um pedido da Polícia Federal.
A investigação aponta que Valdemar, apesar de não exercer mandato parlamentar, teria atuado diretamente no controle da distribuição de emendas parlamentares na Câmara dos Deputados, contando com o auxílio de três servidores da Casa.
Segundo a PF, a principal prova é um conjunto de conversas encontradas no celular de uma ex-servidora da Câmara. Nas mensagens, Valdemar aparece discutindo valores, definindo municípios beneficiados e alterando o destino de recursos do Orçamento.
Em um dos diálogos citados pela investigação, um assessor escreve: “Marquei com o Valdemar amanhã 10h30”. Em seguida, pergunta: “Acho que ele vai jogar no Turismo os 24. Pode ser?”. De acordo com a Polícia Federal, a referência é ao remanejamento de R$ 24 milhões em emendas parlamentares.
Pelas regras do Congresso, apenas deputados e senadores podem indicar emendas ao Orçamento. Como Valdemar não possui mandato eletivo — é ex-deputado federal e atualmente preside o PL —, a suspeita é de que ele exercia influência indevida sobre a destinação dos recursos públicos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-ratos-abandonam-o-navio-pp-e-uniao-brasil-nao-devem-apoiar-flavio-bolsonaro/

