Foto: Reprodução
A poucos dias do julgamento sobre a morte de seu filho Henry Borel Medeiros, o vereador Leniel Borel (PP) revelou que tem enfrentado intimidação e tentativas de coação ao longo dos cinco anos de investigação. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Leniel afirmou: “Minha vida virou um inferno. Sou revitimado todos os dias. São cinco anos clamando por justiça e tendo que lutar contra estratégias para tentar me parar”. O julgamento está marcado para a próxima segunda-feira (23), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde serão analisadas as acusações contra o ex-vereador Jairinho (Jairo Souza Santos Júnior) e a mãe de Henry, Monique Medeiros.
Leniel relatou que procurou as autoridades para denunciar as pressões que tem sofrido, mencionando a influência política e econômica das pessoas envolvidas. “Estou falando de pessoas com poder de influência política e econômica. A gente se pergunta qual é o limite dessa influência para tentar manipular ou coagir”, disse o vereador. A Polícia Civil do Rio confirmou que há investigações em andamento sobre essas denúncias de coação, com registros nas delegacias da 14ª DP (Leblon) e da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes).
As tentativas de intimidação se intensificaram, segundo Leniel, no último ano, quando o julgamento foi agendado. Ele questiona até onde vai esse poder de influência: “Será que não tentam chegar a jurados?”, afirmou, demonstrando preocupação com possíveis interferências no processo. Além disso, o vereador criticou a demora no andamento do caso, afirmando que “são cinco anos tentando clamar por justiça” enquanto a defesa dos réus utilizava todos os recursos possíveis para adiar o julgamento.
O advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, negou as alegações de coação, chamando-as de “inverdade” e reforçando que se houvesse qualquer evidência de coação, haveria investigações e acusações formais. A defesa de Monique Medeiros também refutou qualquer tentativa de manipulação do julgamento, com a advogada Florence Rosa afirmando que a família da ré não possui poder de influência para tal.

Jairinho e Monique são acusados de homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual pela morte de Henry, que foi encontrado com múltiplas lesões no corpo. O caso teve grande repercussão e levou à criação da Lei Henry Borel, que ampliou a proteção a crianças vítimas de violência. Leniel, que vive o luto pela morte de seu filho, afirmou que transformou sua dor em luta pública para proteger outras crianças e garantir justiça no caso. “O que me faz levantar da cama é tentar proteger outras crianças”, disse ele.
À medida que o julgamento se aproxima, Leniel expressa esperança de uma “resposta para o país”, na forma de uma condenação exemplar para os acusados, mas reconhece que nenhuma decisão será suficiente para reparar sua perda. “Não vai haver justiça nunca, porque nada traz o meu filho de volta”, concluiu o vereador, destacando a dor irreparável pela perda do filho.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pai-do-garoto-henry-borel-denuncia-intimidacao-perto-do-julgamento-de-jairinho/

