Parentes de vítimas da chacina dizem ter sido constrangidos pela polícia do Rio

Moradores choram e observam corpos de homens que morreram durante operação policial no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Familiares de mortos na Operação Contenção, a mais letal da história do Brasil, relataram ter sido constrangidos por policiais no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio de Janeiro, enquanto faziam o reconhecimento dos corpos, conforme informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

A Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, foi comandada pelo governo de Cláudio Castro (PL) e deixou 121 mortos, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio.

De acordo com a Defensoria Pública do Estado, agentes aproveitaram o momento de luto para colher depoimentos e fazer perguntas sobre o passado das vítimas. Mães, pais e companheiras foram questionados por policiais sobre se os mortos “trabalhavam”, “andavam em más companhias” ou “estavam envolvidos com o crime”.

Os defensores afirmam que os depoimentos foram colhidos enquanto os familiares aguardavam a liberação dos corpos, em meio a um ambiente de sofrimento e desespero.

O defensor público Pedro Carriello disse que os advogados intervieram no local e alertaram os parentes de que não tinham obrigação de responder. Após a conversa com os agentes, a abordagem foi interrompida. “Ali não é a hora e o local de tomar depoimentos”, afirmou.

“As famílias têm direito ao luto”

Carriello destacou que, mesmo que as pessoas quisessem falar, o momento era inadequado. “Por mais que houvesse voluntariedade, que as pessoas quisessem falar, o momento não era apropriado. As famílias têm direito ao luto”, afirmou o defensor.

Ele também lembrou que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e de cortes internacionais já determinaram que, em casos de violência estatal, a própria polícia não deve conduzir as investigações, pois isso exigiria que agentes analisassem a atuação de seus colegas.

Segundo ele, os policiais poderiam apenas confirmar o grau de parentesco, endereço e documentos dos familiares — nada além disso.

Cerca de 30 pessoas nuas deitadas lado a lado no centro de uma rua movimentada, cercadas por multidão de espectadores. Veículos estacionados e fios elétricos visíveis acima da cena.Cerca de 30 pessoas nuas deitadas lado a lado no centro de uma rua movimentada, cercadas por multidão de espectadores. Veículos estacionados e fios elétricos visíveis acima da cena.
Corpos enfileirados em praça na Penha, zona norte do Rio. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/parentes-de-vitimas-da-chacina-dizem-ter-sido-constrangidos-pela-policia-do-rio/